11 de jun de 2014

O vinte e oito do oito

Mais um emocionante relato de parto! Dessa vez um parto tsunâmico, com suas dores e delícias, cheio de entrega, instinto e alegrias. Porque mulheres sabem parir e bebês sabem nascer!

O vinte e oito do oito




Por Vanessa Daniele de Moraes


Quando se espera um bebê, a expectativa é grande por todo lado: do casal grávido, da família, dos amigos... Todo mundo esperando pra celebrar junto a vida daquele menininho ou daquela menininha que está por nascer. Mas no caso de bebês-surpresa, como o nosso, em que os pais não quiseram ver o sexo durante a gestação, existe um elemento a mais nessa expectativa: “será que é a Sara ou o Dimitri??” (eram esses os nomes escolhidos previamente). As roupinhas e enxoval já estavam à espera do(a) novo(a) integrante da família. Bodys das mais variadas cores, lençolzinho neutro, touquinha verde-água só aguardando para aquecer o bebezinho tão esperado. Com exceção do cor de rosa, tínhamos uma variedade de cores no armário.

A vovó materna chegou em Brasília no sábado, 23 de agosto. Na ocasião eu estava para fazer 40 semanas no dia seguinte – pela data da ecografia. Mas tinha uma outra data possível para a contagem das semanas gestacionais – 40 semanas se completaria na terça, 27.08, pela data da última menstruação. Bem, de qualquer forma, Sara ou Dimitri estava esperando a chegada da vovó, que não podia estar em Brasília antes do dia 23.08 por causa do trabalho. Esse foi o segundo acontecimento que gostaríamos que o bebê esperasse. O primeiro já tinha acontecido um pouco antes, quando o papai foi viajar para Floripa para defender sua dissertação de mestrado. Bem... Papai já era mestre e a vovó já tinha chegado. Que alívio! SaDi (como apelidamos, na época) já poderia chegar tranquilamente!

Não tive pródromos significantes como têm algumas gestantes. O máximo de reação dos últimos dias (deve ter começado por volta de 37 semanas), era o enrijecimento da barriga, ou as famosas “contrações de treinamento”. E o que senti durante toda a gestação se intensificou muuuuito nas últimas semanas: uma vontade louca de fazer xixi. Era muita mesmo! Minha mãe achava que eu estava com algum problema, fiz vários exames de urina e felizmente deram negativo para infecção urinária. Ela dizia que é normal grávida ter vontade de fazer xixi mais vezes, mas eu era uma coisa fora do comum... Eu não conseguia ir pra algum lugar que tivesse um trajeto de 20 minutos, pois no caminho eu reclamava que já estava quase mijando na calça!! E tive que parar de fazer yoga depois de 35 semanas, pois eu já não aguentava o tempo da volta pra casa (eu voltava de metrô, então era uma caminhada até a estação, o tempo de espera do trem e mais a caminhada até em casa).

E já na última semana os desconfortos que passei a sentir foram as pressões, que eu relatava como umas “agulhadas” lá em baixo, perto do canal urinário... Parecia que algo pressionava muito (claro, esse “algo” era “alguém”!) e doía até a vagina. Era uma dor aguda e pontual, se é que dá para descrever dor.

Na segunda-feira, 26 de agosto, já no final da tarde, essas dores-incômodos ficaram tão recorrentes que até liguei para a doula, a Taiza, para saber se era assim mesmo. Ela disse ser o bebê descendo, tentando se encaixar. Era, no entanto, para eu continuar atenta aos sinais. Só que nessa noite, por volta das 21:30h, eu me queixava tanto dessas pressões (a ponto de doer para caminhar e eu ter que dar passos lentos) que quando o Marquito (marido) saiu do banho vimos que ele estava de barba feita e já tinha colocado a sunga. Ou seja: tinha gente realmente achando que o trabalho de parto havia começado! Fora isso, meu pai, lá em Campinas, na maior torcida pra que Sara nascesse nesse dia, pois era aniversário dele (sim, ele queria muito uma neta, embora dissesse que um menino também seria bem-vindo, claro!). “Até meia noite ainda é 26, calma gente, vai nascer hoje!”. Bom, as “agulhadas” se amenizaram conforme eu fui ficando quietinha, de repouso no sofá, até o sono chegar, a dor passar e eu ir dormir.

Vinte e sete do oito: nada. Apenas as pressões leves e a mijadeira de sempre! Ansiedade batendo!

Vinte e oito do oito: levantei às 7:00h e fui ao banheiro (como não poderia deixar de ser!). “Mãããe, vem aqui ver... tem um sanguinho na minha calcinha...”. Ela falou que isso poderia ser um sinal. Liguei pra Taiza, que disse pra eu ficar atenta, pois esse sanguinho poderia ser um indício do tampão e que meu trabalho de parto poderia estar perto. Qualquer coisa era pra eu voltar a ligar e tentar ter um dia tranquilo, sem me cansar muito, pois se fosse TP eu precisaria estar descansada.

Fui ao supermercado com minha mãe, na mesma quadra de casa (fomos andando). Durante as compras, eu já estava agoniadíssima, doía muito pra andar, mas era aquela dor da pressão, que comentei anteriormente. Eu tinha que andar devagarinho e apressei muito minha mãe para comprarmos tudo logo. A minha barriga “baixa” deveria estar bem visível, pois na hora de passar no caixa lembro que o operador olhou pra mim e perguntou: “Nossa, você ainda está conseguindo sair de casa? Quando vai nascer?”. E eu respondi: “quando o bebê quiser, já estou com 9 meses!”. E no caminho para casa, ao atravessar um atalho, no terreno ao lado do condomínio, uma senhora me deu a mão e colocou umas tábuas grandes pra eu pisar, pois o terreno era irregular... Pensei: “as pessoas andam tão solidárias, tão solícitas... devem estar notando que a chegada do bebê está bem perto, meu TP deve ser logo!”

Já em casa, procurei ficar mais sentada no sofá. Era muito xixi e uma dificuldade pra caminhar, por conta das agulhadas. Junto a isso comecei a sentir uma coliquinha tipo menstrual, mas leve. Liguei de novo pra Taiza. Ela perguntou se junto com as cólicas a barriga contraía, mas eu disse que não, que eu não percebia nada de diferente. Comecei a contar o tempo de intervalo entre uma cólica e outra. 15 minutos. Mas era uma cólica tão leve comparada às minhas TPM’s e, além disso, eu não percebia contração senão aquelas endurecidas na barriga típicas das semanas que precedem o parto...

Almocei. Minha mãe, tão linda, estava sempre no comando de tudo. Foi ela que fez o almoço, foi ela que limpou a casa enquanto estive no sofá – vendo tv e descansando para o que poderia ser! O Marquito estava na expectativa! Ligava do trabalho de tempos em tempos para saber como eu estava. Ele já estava com planos de não trabalhar à tarde, mas eu falei pra ele que as cólicas continuavam amenas e poderiam ficar assim por muito tempo, que era pra ele ficar tranqüilo, pois qualquer novidade eu avisaria. E como tinha bastante coisa pra fazer no trabalho dele, ele trabalhou o turno todo.

Cansei do sofá! Levantei, tomei um banho gostoso. Enquanto a água caía no meu corpo, eu conversava com o bebê passando a mão na minha barriga. Eu dizia pra ele que quando ele quisesse poderia nascer, pois eu já estava preparada para recebê-lo, a vovó já estava em Brasília, o papai também estava ansioso. E que eu já o amava muito e tudo estava pronto para sua chegada. Saí do banho me sentindo tão bem... Coloquei Elis Regina e cantei bastante. Depois Gilberto Gil.

“Mãe, vamos ao parque caminhar?”

“Nossa, Van, você aguenta?”

“Sim, mãe, o que eu não aguento é ficar parada pensando se pode ou não ser trabalho de parto... Lá eu me distraio!”

E fomos! Caminhei beeem devagarinho, fui pelo caminho mais curto para chegar até as quadras de areia e banquinhos. No caminho a parada no banheiro. Ficamos um tempinho sentadas no quiosque tomando uma água de coco. Matamos um tempo, nos distraímos e resolvemos voltar, afinal já estava escurecendo. Parada para o xixi de novo. No caminho para casa (o parque é uma quadra abaixo da quadra de casa), senti a cólica aumentando. Comentei com minha mãe: “Acho que essa madrugada vai ser looonga...”. As cólicas estavam apertando consideravelmente.

Chegamos em casa às 19h, junto com o Marquito, que chegava do trabalho. Liguei pra Taiza. Ela achou estranho eu dizer que estava sem contrações. Falou que muitas vezes não percebemos, e me orientou a fazer o seguinte: quando eu sentisse a cólica era para eu avisar o Marquito; ele colocaria a mão dele na minha barriga e diria se estava contraindo ou não. E que marcássemos o tempo. Dito e feito! Contrações de 3 em 3 minutos. Nova ligação. Agora o procedimento era outro: que eu entrasse debaixo do chuveiro e tomasse um longo banho de meia hora – não menos que isso – se depois a dor não melhorasse era pra ligar pra ela. Longo banho e ligação para a Taiza.


A Taiza ligou para a Melissa (uma das parteiras da equipe) avisando que estava rápido o trabalho de parto e que ela estava indo pra casa dela ainda e demoraria pra conseguir vir pra minha casa. Combinaram que a Kelly (a outra parteira), que morava mais perto, viria me avaliar.  

A dor estava forte já. Era como minha cólica menstrual, que dói bastante. Eu me ajoelhava sobre meu tapete de yoga e apoiava o peito e os braços na minha bola de pilates, aí a pressão na barriga aliviava um pouco. 



O Marquito começou a encher a piscina. Como parto é imprevisível, o Marquito “fechou” a piscina com um cobertor para que ela se mantivesse aquecida.


Às 20:43h a Danielle, fotógrafa, chegou. Ela registrou minha dor tão discretamente que eu nem notava a presença dela.

Lembro de eu pedir pra minha mãe colocar um brinco em mim, pois a minha dor já estava forte e eu só me contorcia! Quando as contrações vinham, eu me encolhia no sofá... Minha mãe me fazia perguntas (não lembro agora quais) que eu não conseguia responder, só quando a contração cessava eu respondia. Acho que perguntava onde tinha as coisas para o parto: tapete para forrar o chão, chá... Mas enquanto a doula não chegava, meus “doulos” foram o Marquito e minha mãe, que colocavam a bolsa de água quente na minha lombar e eu concentrava na respiração lenta e prolongada...


Eram 21:08 horas quando a Kelly chegou. Ela me observou e logo em seguida falou que ia fazer o exame de toque. Questionei, pois achava desnecessário. Mas ela disse que era importante e no momento da dor, a gente cede mesmo. Fiquei deitada no sofá e assim que uma contração foi embora, ela fez o toque. E falou: “Zero de dilatação, colo apagado”.

Minha mãe me disse: “Meu Deus, se você já está com toda essa dor...”. Minha mãe não queria demonstrar pra mim que estava nervosa, mas estava bem preocupada. E a Kelly disse que ia pra casa dela e mais tarde voltaria, pois o trabalho de parto ainda iria madrugada adentro e certamente o bebê só nasceria de manhã – ainda mais que era primeiro filho...

Ao contrário da minha mãe, fiquei tranquila. No fundo alguma coisa me dizia que a coisa não iria tão longe assim, eu sabia que a dor estava muito intensa para o trabalho de parto se prolongar muito.

A Kelly ligou pra Taiza e falou pra ela ir atrás das ervas para o chá (para ajudar no trabalho de parto). Eu não sabia que a Kelly havia pedido isso, pois senão diria que não precisava (eu já havia comprado todas as ervas). E falou para a Taiza que eu não tinha nada de dilatação, apesar de estar com muita dor. Com isso, a Taiza relaxou e foi atrás das ervas. A Kelly foi embora às 21:20h.

Minhas dores não cessavam. As contrações ficavam cada vez mais próximas umas das outras. Eu gemia de dor. Minha mãe me deu uma xícara de algum chá quentinho, mas eu só tomei uns goles e nem consegui mais. Tive uma vontade louca de vomitar, de tanto que doía. E quando a barriga contraía, eu sabia que em seguida viria uma dor horrenda. O Marquito correu e trouxe um balde. Mas embora eu tivesse com ânsia de vômito, só salivei e babei dentro do balde. Idas e vindas para o banheiro. Muito xixi. E a privada era um lugar onde eu erguia a perna apoiando-as na parede e ficava ali recolhida até diminuir a dor. O travesseiro também foi um bálsamo.



Às 22:00 a Dani veio me falar que ia dar uma saída, sua filha estava doente e ela ia dar remédio, já que o trabalho de parto ia demorar mesmo...  Assim ficou eu, o Marquito e minha mãe em casa. As contrações foram ficando muito próximas. Uma nova vontade de vomitar. Minha mãe trouxe novamente o balde, prendeu meu cabelo e dessa vez eu vomitei bastante. 



Fui andando devagar da sala para o banheiro. Senti um líquido escorrendo pela minha perna. De súbito pensei que fosse a bolsa estourando, mas só depois me dei conta que era xixi! De novo no vaso sanitário, após mais um xixi passei o papel e o tampão saiu! Mostrei para minha mãe, que confirmou...

“A Taiza tá demorando, liga pra ela, amor, tá doendo muito...”

E enquanto o Marquito ligava, eu fiquei ali na privada quietinha, fora de mim, ou melhor, mais dentro de mim do que nunca. Eu estava introspectiva, tentando me concentrar na minha dor. 



E 22:30h a Taiza chegou. Disse que demorou porque foi atrás das ervas, mas acabou vindo direto, depois que o Marcos avisou que eu já tinha comprado.

Lembro que mesmo com muita dor, eu ali na privada, falei que ela estava muito bonita! E contei que perdi o tampão e que tinha vomitado. Quando falei do vômito ela se assustou... disse que podia ser um sinal que estava dilatando rápido, além do mais meu semblante já demonstrava que o negócio estava avançado!

A Taiza sugeriu que eu saísse do vaso sanitário, que mudasse de posição pra ver se melhorava... sugeriu entrar na piscina para aliviar a dor. A sala já estava escurinha, à luz de velas e com iluminação indireta da varanda. Já na piscina, a água bem quente me fez bem. Aquilo era bom demais pra aliviar a dor. 

Debrucei meu tronco sobre a borda da piscina e veio a primeira contração, mega dolorida... Eu gritei como não tinha gritado até então. Aquelas dores eram viscerais, mas a Taiza me acalmando e tentando me deixar relaxada foi tudo de bom. Ela pedia pra eu me concentrar, pensar que era o bebê chegando, pra eu me entregar e não lutar contra a dor, mas me deixar ser levada por ela no momento dela.

Na contração seguinte: “Tô com vontade de fazer cocô...” – e a Taiza falou que eu podia fazer, mas que “aquilo” não era cocô – e tinha nome, como ela dizia!

Na mesma hora, ela pediu: “Marcos, liga pra Kelly e fala pra ela vir correndo que o bebê já está nascendo!!”

Em seguida senti que parecia que tinha alguma coisa pesando e “entalada” na minha vagina – sim, a sensação era essa! “Nossa, será que já é o bebê?”, pensei. Pus a mão. Senti a bolsa. “To sentindo a cabeça do bebê na minha mão!!” E a Taiza: “Sério?! Meu Deus, já vai nascer!!”

“Minha perereca tá ardendo, Taiza...”. Vixe, já era o círculo de fogo. As coisas estavam evoluindo muito rápido mesmo.

E eu ainda consegui lembrar de foto: “Gente, e ninguém vai registrar o nascimento? A Danielle também não está aqui... Mãe, filma...”

Mãe: “E pior que eu não sei filmar, nem sei mexer nessa máquina direito...”

Eu: “Então tira foto!”

O Marquito ligou pra Danielle, que já estava chegando e passou todos os quebra-molas sem frear, coitada!

Só deu tempo da Taiza colocar uma luva. Mais uma contração. Berrei! A Taiza aparou com a mão a cabeça no meu períneo e viu se tinha circular de cordão.

E ela veio! A Sara! Dentro da bolsa, que se desfez com meu abraço, com a Taiza entregando-a em meus braços.


E eu só abraçava, e dizia “meu amor, meu amor”! E nem olhei de cara se era menina ou menino, eu só queria segurar aquele bebê, abraçá-lo e ouvir aquele choro incessante.


Taiza: “Van, você não vai ver o que é?”

Eu: “Depois eu vejo, deixa eu abraçar primeiro!”

Depois de tanto abraço eu olho pra descobrir quem é. “É a Sara!”

O nascimento tsunâmico pegou todo mundo de surpresa, e na empolgação e correria, ninguém lembrou de olhar no relógio para ver que horas Sara nasceu. Mas por nossos cálculos (registros de ligações e da câmera da Danielle) ela veio ao mundo às 23:00h. 

A Danielle chegou logo em seguida – às 23:02h, e ficou toda tristinha por não ter conseguido fotografar o expulsivo. A Kelly chegou às 23:10h, quando eu já tinha saído da piscina e tinha ido deitar no sofá para dar o primeiro mamá da Sarinha. Ela me procurou e nem se deu conta que a Sara havia nascido e que já estava ali nos meus braços, mamando afoitamente. A Taiza, fofíssima, já tinha até colocado o gorrinho e a enrolado no cueiro para aquecer.


A primeira mamada doeu logo que ela pegou o peito. “Nossa, ela já tem dente?” – brinquei. Mas a sensação era de que ela mordia, enquanto na verdade era o peito que estava sensível e “não acostumado” com a sucção. Por outro lado a sensação de amamentar era emocionante. Sara nasceu com toda vontade de mamar: ficou mais de uma hora no peito!


Papai cortou o cordão umbilical às 23:23h, quando ele já não pulsava mais.



E enquanto Sara mamava, a Kelly cuidava do meu corpo... Pari a placenta com a ajuda dela e foi ela quem fez também a sutura no períneo: levei 5 pontos, pois lacerei um pouco.

O papai ficou ao meu lado o tempo todo, foi uma união linda num momento lindo.


Sara pesou 3,010kg. E só no dia 30 descobrimos que ela nasceu com 47cm, pois a Kelly não mede os bebês logo que eles nascem (tadinhos, ficam encolhidinhos 9 meses na barriga e depois alguém esticar para medir não é justo, né?) E a balança não era gelada, era de tecido, bem gostosinha, tipo trouxinha de cegonha!


Minha mãe preparou um sanduíche, eu não podia ficar sem comer, o parto me roubou as energias. Mas o mamá da Sara era sagrado! E então a Taiza ia segurando o sanduíche e o gatorade e eu ia mordendo... Parir com uma doula querida é outra história!!

Para fechar com chave de ouro o momento tão especial, brindamos!


E assim terminamos nosso vinte e oito do oito e iniciamos uma madrugada de muita emoção. Depois de tomar um banho, fui deitar e foi impossível dormir com a felicidade transbordando dentro de mim. A Sara dormiu no carrinho, que ficou ali do meu ladinho, colado à cama. E o vinte e nove do oito foi de pura paixão, assim como todos os outros dias depois do vinte e oito do oito de dois mil e treze.



Fotos: Danielle Bernardes


13 de nov de 2013

O nascimento da Sofia, entre lágrimas e sorrisos...


E aí que o último post inspirou mais uma mulher linda a escrever seu relato!!! A Renata planejou um parto normal humanizado, acabou numa cesárea. Claro, que o nascimento da Sofia foi lindo mesmo assim e todos ficaram felizes! Mas a Renata precisou digerir e aprender as lições do seu não-parto. E o que ela aprendeu com isso serve de alerta para outras gestantes.

O nascimento da Sofia, entre lágrimas e sorrisos...


Por Renata Riquette Manes

Minha gravidez foi bem planejada. Eu e meu marido, apesar de vivermos há quase 9 anos juntos, decidimos nos casar “de verdade”. Engravidei três meses depois do casamento e ficamos muito felizes. Fiz o beta no dia 24-12-2012, e tivemos nosso super presente de natal: o positivo! A partir daí, comecei a pesquisar tudo sobre gravidez, o que inclui o parto. Antes de engravidar, eu pensava em fazer uma cesárea, porque as pessoas que eu conheço fizeram cesariana (inclusive minha mãe, que teve 5 filhos, todos por meio da cesárea). Além disso, eu tenho uma cicatriz de uma cirurgia renal e era bem conveniente pra mim aproveitá-la. Até que entrei no mundo do parto. Aderi a grupos do Facebook, como “Cesárea? Não, obrigada!”, “Gravidez, Parto e Maternidade” e “Parto Natural”, e obtive informações valiosíssimas, que mudaram a minha forma de pensar. Assim, descobri que eu queria um parto mais que normal: eu queria um parto natural! Por todos os benefícios que o parto vaginal traz, por ser um ritual de passagem para a mãe e para o bebê e por achar que é algo muito natural. Queria sentir as dores e as emoções da chegada da minha filha. Queria viver intensamente esse momento, que é único na vida!

Aí começou minha batalha. Descobri que o Brasil é um país de cesáreas. E que, para ter um parto normal aqui, eu teria de lutar muito por ele. E lutei. Lutei contra a opinião de algumas pessoas da minha família: que achavam um absurdo sofrer em pleno Século XXI; que me diziam que as dores do parto são insuportáveis e que não era possível sem anestesia; que me olhavam como se eu fosse estranha por querer um parto natural, em um país onde a cesárea impera. Lutei, também, contra o sistema. Foi super difícil encontrar um médico pró-parto normal. Parei de me consultar com uma obstetra que, certamente, me levaria para uma cesárea, e comecei a me consultar com um obstetra que atendia meu plano de saúde e era famoso por fazer muitos partos normais. Comecei a ler tudo sobre parto natural e vi a necessidade de se ter uma doula. Encontrei a Taiza, que foi, e ainda é, um anjo na minha vida.

Assim, comecei a planejar o meu parto. Percebi que eu desejava muito um parto na água. Desejava tanto que não me via parindo de outra forma. Conversei com o meu obstetra, que aceitou fazer o parto dessa maneira. Fiquei feliz e confiante. Mas um acontecimento me desestruturou. Soube, quando eu estava com aproximadamente 35 semanas de gravidez, que meu obstetra havia feito um parto na água e dito que nunca mais o faria, pois é um parto nojento. Fiquei sem chão. Diante desse fato, minha doula sugeriu um parto domiciliar. Conversei com meu marido e pensei muito. Descobri que eu não tinha a segurança necessária para se ter um parto em casa. Eu me sentia insegura com as observações que meu obstetra sempre fazia nas consultas. Ele vivia pegando no meu pé por causa do peso que eu estava ganhando na gravidez. Chegou a dizer que havia um fator oculto que impedia as mulheres que ganham muito peso na gravidez de terem um parto normal. Além disso, chamava minha atenção por causa da minha pressão arterial, que ele considerava um fator perigoso, sendo que, em repouso, ela marcava 12x8. Chegou a 13x9 em algumas consultas, o que, até onde eu sei, não é considerada alta. Então, eu não me sentia saudável para ter um parto em casa. E desisti dessa opção, apesar de desejá-la bem lá no fundo do meu coração. Então, estava decidido: eu teria um parto natural hospitalar, na suíte de parto humanizada da maternidade, e na banheira, mesmo meu obstetra considerando o parto na água nojento. E esperaria estar bem dilatada, para ir para a maternidade, pois tinha medo de intervenções desnecessárias. Fiz meu plano de parto e discuti todos os fatores com meu obstetra. Estava tudo ok. Eu estava bem segura e decidida com relação às minhas escolhas. Me sentia muito empoderada para parir minha filha. E fiquei as últimas semanas da gravidez só esperando o momento que ela escolheria pra nascer.

E os sinais de que algo aconteceria começaram. Uma semana antes do trabalho de parto, comecei a sentir algumas contrações doloridas. Entrei no chuveiro, pois sabia que a água quente ajudaria a engrenar o trabalho de parto, se fosse o dia mesmo; ou faria tudo parar, se não fosse o dia. No chuveiro, comecei a conversar com minha filha, falando para ela não ter medo, porque passaríamos por um processo para ela chegar até os meus braços. E percebi que eu não estava com medo também. Dormi com algumas contrações ainda, e acordei sem nada. Dois dias depois, perdi um pouco do meu tampão. Fiquei em estado de êxtase, porque minha irmã, que teve a bebê dela 3 meses antes de mim, perdeu o tampão e entrou em trabalho de parto logo em seguida. Em 24 horas, a filhinha dela nasceu. Eu pensava que poderia acontecer o mesmo comigo. E começaram algumas dores de novo, mas bem fraquinhas. Dois dias depois, perdi mais um pouco do tampão, agora com raias de sangue. Mais um alarme falso. Nada de trabalho de parto.

Até que, depois de uma semana em pródromos, na manhã do dia 5/9, no mesmo horário em que a lua mudava para lua nova, saiu mais um pedaço do tampão. Passei o dia tendo contrações doloridas, mas bem de leve. Enquanto eu dirigia o carro, para levar meu marido para um compromisso, eu senti uma contração bem mais forte. Comecei a acreditar que seria o dia! E fiquei entusiasmada. Às 18:30, comecei a ter contrações mais fortes, mas espaçadas. Com intervalos de 25 minutos, mais ou menos. Tentei dormir, para descansar, mas não consegui. As contrações estavam começando a vir com mais frequência. Comecei a marcar as contrações em um aplicativo no meu celular. Tive uma contração muito forte que durou 7 minutos. Meu marido ligou para a minha doula, para saber se era normal uma contração tão dolorida e longa, e ela disse que não. Mas não veio mais nenhuma desse tipo: longa. Acho que foi porque eu me contraí muito durante a contração. E contrair é a pior coisa que se pode fazer. Então, comecei a tentar relaxar nas contrações, o que é totalmente antinatural. O natural é se contrair em uma situação de dor; e não relaxar. Mas estava conseguindo relaxar, por enquanto. As contrações começaram a ser frequentes. E as dores cada vez mais fortes. Eu dava notícia para minhas irmãs e cunhada por meio do Facebook, mas, durante uma contração, não conseguia nem pegar no celular. Minha média estava de 7 em 7 minutos, durante 1 hora. Algumas contrações vinham muito fortes; outras mais leves. Entrei no chuveiro e as contrações começaram a vir em um intervalo menor: de 4 em 4 minutos. Saí do chuveiro. Estava raciocinando ainda, tanto que me ofereci para guardar as vasilhas que o meu marido lavou (rsrsrsr) e conseguia escrever notícias no Facebook, para a família, nos intervalos das contrações. Voltei para o chuveiro, porque a dor era forte, e as contrações começaram a vir de 3 em 3 minutos.

  
Minha doula chegou às 3h20 da madrugada. Eu estava no chuveiro. Ela tocou minha barriga e viu que minha bebê estava à direita ainda (quando os bebês estão à direita, geralmente, têm de percorrer um caminho maior para encaixar da forma correta e descer). Ela desligou a luz do banheiro e colocou umas velas. As dores eram bem fortes, e o chuveiro amenizava. Em contrapartida, no chuveiro, as contrações vinham em uma frequência menor. Saí do chuveiro e fui para a cama. Minha doula sugeriu a posição de quatro apoios, para ver se a minha filha girava. Estava à luz de velas e meu marido colocou músicas relaxantes para escutarmos. Minha doula e meu marido revezavam a massagem na minha lombar, para reduzir a dor. E funcionava! A dor, fora do chuveiro, era bem mais intensa. Mas as contrações davam uma espaçada maior. E eu conseguia descansar um pouco, até a próxima contração. Depois de um tempo assim, a minha bebê começou a virar. Lá pelas 4 da manhã, ela já estava no meio do caminho entre a direita e a esquerda. Isso era um bom sinal. Um sinal de evolução. Eu voltei para o chuveiro, porque as contrações fora dele estavam muito, muito fortes mesmo! Preferia que elas viessem mais fracas e com uma frequência maior. Escutei os pássaros que eu costumo escutar um pouco antes de o dia clarear. E vi o dia clarear da janela do meu banheiro.


Às 6h30 da manhã, minha doula sugeriu que fôssemos para a maternidade. Ela achava que eu estava com 8 cm de dilatação, ou seja, estava na hora de irmos mesmo, como planejamos. No caminho para a maternidade, que fica a dois quarteirões daqui de casa, tive uma contração. Foi duro ter uma contração com o carro balançando. Ainda bem que foi só uma. Cheguei na maternidade e meu marido foi tratar dos assuntos burocráticos, como o plano de saúde e nossa instalação na sala de parto humanizada. Enquanto eu esperava, apoiei meus braços no balcão da recepção, abaixei o tronco, e fiquei lidando com as minhas contrações, sendo observada pelos que ali passavam. Colocaram-me na sala de pré-parto, para que eu aguardasse os trâmites burocráticos e a chegada do meu obstetra, que já tinha sido chamado por outra gestante, que teve a bolsa rompida. Enquanto eu o esperava, senti uma vontade enorme de fazer força. Minha doula me incentivou, dizendo para eu seguir o que meu corpo mostrava. Quando senti a vontade de novo, fiquei de cócoras e fiz muita força, e minha bolsa estourou, às 7h25! Fiquei tão feliz!!!! Estava chegando a hora de ter minha filha nos braços! Depois de uma hora, meu obstetra chegou. Ele fez o exame de toque e constatou que eu estava com 8 cm de dilatação! Perfeito! Teoricamente, eu estava quase lá, no meu sonho de um parto natural. Além disso, ele viu que a minha bebê estava dorso à direita (ela já tinha rodado da direita para o centro, em casa; e voltou para a direita, no hospital) e me perguntou como eu estou aguentando as contrações sem anestesia, já que a posição dorso à direita é MUITO dolorida! Na hora, eu entrei em desespero e pensei: “realmente, está doendo muito mesmo, uma dor que parece que vou ser partida ao meio; sabia que não era normal doer tanto; como estou aguentando sem anestesia?”. Isso me desestruturou MUITO! Comecei a implorar pela anestesia. Eu estava conseguindo lidar bem com a dor, apesar de ter pensado em anestesia algumas vezes. Mas, quando ele disse isso, eu comecei a implorar mesmo! “Cadê o anestesista pra ontem?”. Apesar de eu implorar pela anestesia, me disseram que ela só seria dada na suíte de parto humanizado. Mas a suíte demorou uma eternidade para ser liberada: somente duas horas depois de eu chegar na maternidade! Enquanto eu esperava a liberação, meu médico pediu um exame para saber como estavam as contrações e os batimentos cardíacos do bebê. E o exame era feito deitada, a pior posição que existia para eu ficar em trabalho de parto, pois as dores das contrações ficavam muito mais fortes.




Liberaram a suíte de parto. Coloquei uma camisola de hospital e fui caminhando pra lá. Tive uma contração no meio do caminho e fiquei de cócoras, para lidar melhor com ela. Duas enfermeiras vieram até mim e eu disse para elas esperarem, pois eu estava passando por uma contração. Uma delas falou para a outra, com tom de desespero “chame o médico, ela está passando mal!”. Eu pensei: “nossa, sou uma alienígena. Ter contrações é algo anormal nesta maternidade”. Cheguei na sala de parto ainda com a ideia fixa da anestesia. Só me concentrava nisso. Parei de me concentrar nas dores e tentar relaxar. Eu só pensava na anestesia e implorava pela chegada do anestesista, que demorava muito. Até que ele chegou e vi, nele, a esperança para extinguir minha dor; ou, pelo menos, reduzi-la significativamente. Tomei a analgesia e consegui dormir por 10 minutos. Acordei e minha doula sugeriu que voltássemos a fazer posições para a minha bebê girar, porque, em pouco tempo, eu voltaria a sentir as dores muito fortes de novo. E foi dito e feito. Em pouco tempo, as dores estavam insuportáveis de novo. Disse para o meu obstetra que eu entraria na banheira, para amenizar a dor. E ele foi enfático ao dizer que não podia, por causa do acesso da analgesia. Nesse momento, fiquei sem chão. Eu sonhava com um parto na água, e não poderia mais tê-lo!!!!! Fiquei totalmente desestruturada! Eu só me imaginava parindo na água; e não em outra posição. E não fui informada de que, se eu tomasse analgesia, não poderia entrar na banheira. E ele sabia desse meu desejo. Estava, inclusive, no meu plano de parto, com o qual ele concordou previamente. Não poderiam tirar o acesso, para eu entrar na banheira? Na hora, nem pensei em questionar isso. Acho que foi a decepção. Fiquei murcha. E a dor era muito forte. O fato de eu não poder mais ter meu parto na água fez com que eu não conseguisse mais lidar direito com as minhas contrações.



Pedi mais analgesia, que foi tão fraca que não durou 5 minutos. O obstetra vinha, frequentemente, ouvir os batimentos cardíacos da minha filha. E fez o exame de toque. Eu continuava com 8 cm de dilatação, mesmo depois de quatro horas na maternidade. Ele identificou que a minha bebê estava alta. E a doula começou a me passar posições para a bebê descer. Fiz todas, mesmo com contrações fortíssimas e dores de ver estrelas. Outro exame de toque, às 12h, depois de 5 horas com 8 cm, e os mesmos 8 cm estavam lá! Eu queria a cesárea, porque estava exausta e com muita dor. E não havia progressão. Parece que todo o meu esforço em fazer todas as posições sugeridas, e tentar tolerar a dor, era em vão. Mas minha doula me convenceu a aceitar a proposta do meu obstetra: tomar mais um pouco de analgesia e aplicar ocitocina e, depois de uma hora, o obstetra voltaria para avaliar. Se eu tivesse progredido, ok; se não, iria pra cesárea. É importante informar que, teoricamente, não havia indicação pra ocitocina, porque minhas contrações estavam regulares e muito fortes.  Foi um ato de última tentativa do obstetra. Enfim, mais uma vez, a analgesia não resolveu nada. As dores ainda estavam insuportáveis. Em um ato de desespero, comecei a fazer força. A contração vinha e eu ficava de cócoras, apoiada em um pedaço de pano suspenso, e fazia muita força. Cheguei a tentar a banqueta. Saía muito líquido e sangue, mas nada da minha filha. Eu estava exausta e esgotada. Minhas pernas tremiam. Meus músculos não respondiam mais aos estímulos. Minha doula ficava o tempo todo ao meu lado, falando palavras de motivação, mas eu estava desacreditada. Agora, eu implorava pela cesárea. Não me achava mais capaz de parir.




O obstetra voltou, às 14h, e fez outro exame de toque, que foi super dolorido, como todos. Ele disse que eu havia regredido de 8 cm para 6 cm de dilatação, por causa de um edema que se formou no colo do meu útero. E que formou um galo (o nome técnico é bossa) na cabeça da minha bebê, porque ela estava tentando passar pelo canal, e o edema estava impedindo. Fiquei bastante preocupada na hora com a história do galo. Pensei que minha filha estava sofrendo. Além disso, eu nunca tinha ouvido falar em regressão na dilatação. Isso acabou com minhas últimas esperanças de ter um parto normal. E eu estava exausta física e emocionalmente, pois foram 19 horas em trabalho de parto, sendo que me mantive ativa em todas essas horas, porque não conseguia ficar deitada ou sentada. Então, fui para a sala de cirurgia e fiz uma cesariana, e minha filha nasceu às 15h01 do dia 6/9.



Apesar de a minha filha ter chegado ao mundo de uma forma que eu não desejava, por meio da cesárea, foi muito emocionante tê-la em meus braços. Dei muita sorte de haver um pediatra humanizado na sala de cirurgia. Ele deixou a minha bebê ir direto para os meus braços, a colocou no meu colo, e eu pude ficar ali, por uns bons minutos, conversando com a minha filha, sentindo o seu calor e sua pele, olhando nos seus olhos. Foi um momento MUITO mágico, do qual nunca me esquecerei. Além disso, ela não sofreu intervenções desnecessárias, como a aspiração. O pediatra respeitou o meu plano de parto. E isso foi fantástico. Meu marido não deixou nossa filha um minuto sozinha. Ela se sentiu protegida o tempo todo: ou por mim, ou pelo pai dela.




Durante um bom tempo, fiquei remoendo o meu não parto. Foi angustiante saber que eu poderia ter feito diferente, como ter optado por um parto domiciliar. Assim, eu não precisaria ter passado pela mudança de ambiente (casa-maternidade); pela espera quando da resolução da burocracia; pelo encontro com pessoas despreparadas, que te veem como alienígena, já que o normal, ali, é marcar uma cesárea, e não ter um parto normal; pela permanência em um ambiente não acolhedor e estranho, muito diferente da nossa casa. Ou, pelo menos, eu poderia ter escolhido um obstetra verdadeiramente humanizado, que acreditasse em mim, no meu poder de parir, e que fizesse de tudo para me ajudar no meu propósito de ter um parto natural. Isso teria feito toda a diferença, porque, no momento do trabalho de parto, a mulher fica MUITO vulnerável. Pequenas coisas atrapalham a concentração. A dor das contrações é muito grande para a mulher poder se distrair. Ela deve se manter conectada e concentrada durante o trabalho de parto. E todas as situações acima me tiraram a concentração no que realmente importava: o ritual do parto.


Hoje, consegui digerir o meu não parto. Entendi que vários fatores alheios à minha vontade me fizeram lutar, lutar, lutar e fracassar no meu sonho de parir. Como eu sou uma pessoa que vê o lado positivo das situações, resolvi usar a minha experiência para ter um parto incrível na minha próxima gestação. E decidi compartilhar o que aconteceu comigo para fazer um alerta quanto ao que pode ocorrer quando a mulher não tem as condições ambientais e psicológicas ideais para se manter concentrada no trabalho de parto. Assim, espero, de coração, ajudar muitas mulheres a parir com a dignidade a que todas nós temos direito.

Participações especiais: Clara e Sam, filhas caninas, durante o trabalho de parto em casa; Rafaela e Roberta, irmãs da Renata, em casa e na maternidade.

Fotos: Ana Paula Batista. Veja mais fotos clicando aqui!

*Editado: veja o vídeo "O Nascimento da Sofia", por Ana Paula Batista.



17 de set de 2013

O nascimento do Lucas, numa linda manhã de domingo...


Atendendo a muitos pedidos, hoje estou publicando pela primeira vez um Relato de Parto!! E com direito a um vídeo emocionante desse parto!! Eu não tenho tempo para escrever os relatos dos partos que acompanhei, mas finalmente (e felizmente) uma linda mamãe escreveu e me pediu que publicasse para ajudar, encorajar e inspirar outras mulheres!! Achei o máximo e adorei a ideia, caso outras mulheres se animem a escrever, terei enorme prazer em divulgar!!

O nascimento do Lucas, numa linda manhã de domingo...


Por Flávia Rubio

Seria egoísta da minha parte não dividir a minha história com ninguém.  Logo eu, que tive nos relatos a maior fonte de inspiração e empoderamento para parir o Lucas. Então, divido com vocês a nossa história, na esperança de ela ajude ou inspire alguém na busca pela realização do parto humanizado.

O parto normal

Sempre acreditei no parto normal. Desde pequena entendia que era a melhor opção para mãe e filho. Não sabia o porquê, mas sabia. Assim... Sem explicar, como quem tem fé. Eu tinha fé no parto normal. Afinal, nós mulheres nascemos com esta capacidade. Eu acreditava que todas eram capazes, e em especial que eu era capaz.

O tempo passava, e a história do parto normal ficava cada vez mais longe. Eu sabia que havia nascido de parto normal, acho que era o caso mais próximo que eu tinha como referência. Das minhas amigas mães, somente uma teve seu filho de parto normal. Fui atropelada com as inverdades sobre os riscos do parto normal e as glórias da cesária. Para mim não fazia sentido, mas era a informação que eu tinha: parir é perigoso e ter um filho por cesária é utilizar-se da tecnologia, da evolução da medicina. Ainda assim, a fé permanecia, ainda que quieta e apática.

O primeiro contato com o parto domiciliar

Já adulta, ainda namorando o meu marido, trabalhei com um colega que estava grávido, acho que da segunda filha. Ele falava do nascimento da primeira filha com sangue nos olhos, uma indignação que eu não entendia. Ok! Parece que o medico mentiu para eles e os conduziu para uma cesária desnecessária... Chato, eu sei, mas porque a revolta? Eu, ignorante na época, desconhecia a existência da violência obstétrica e o quanto que isso prejudica, judia e traumatiza uma mãe e em consequência toda a família.

Pois este mesmo colega contava dos planos de ter o próximo filho em casa... Que absurdo! - pensei - como assim? E os riscos? E se alguma coisa der errado? Ele é doido? Não entendia... Para mim não fazia sentido colocar a mãe e o bebê “em risco”, longe do hospital... Conversando com o Paulo - meu marido - ele dividia comigo as mesmas opiniões... As deles eram mais enfáticas, é verdade, mas concordamos ao achar que era uma atitude radical e até irresponsável dos pais...

Tempos depois, com um super sorriso no rosto, veio o pai orgulhoso contar do episódio do nascimento de seu filho... Que a dilatação estava demorando, que eles tinham o apoio de uma acupunturista (não me recordo se era a doula), e que após um procedimento dela a dilatação correu solta, tão rápido que o médico chegou depois que a bebe nasceu... Que ela teve laceração... E que foi tudo lindo!! Oi?! Para mim parecia uma história de terror e pânico, mas para minha surpresa, ele estava reluzentemente feliz!

O renascimento

O primeiro sinal de que minha fé havia acordado foi antes de engravidar ou casar. Assisti ao promo do vídeo "O renascimento do parto". É isso! - Eu pensava... - A cada minuto do vídeo meu corpo consumia, aceitava e devorava aquelas informações como 2x2 são 4. TUDO fazia sentido...

Pois bem. Casei. Engravidei. E chegou a minha hora de decidir como meu filho iria nascer. Para mim era óbvio... Ele vai nascer como ele quiser e quando ele quiser. Mas o que eu ainda não sabia era que essa decisão encontraria tantos olhares preocupados e apreensivos, como se eu tivesse tomando uma decisão errada. Me colocando em risco, colocando meu filho em risco. É assustador como as pessoas reagem quando a resposta pra pergunta: “E aí, já marcou pra que dia?!” é “Oi?! Vai ser parto normal, ele vai nascer quando quiser...”.

Decidida pelo parto normal, comecei a saga da busca por um obstetra que aceitasse convenio e que não fosse cesarista. Passado por uns cinco deles, segui a indicação de uma amiga e parei em um. Fiz com ele praticamente todo o pré-natal. Ele era muito atencioso, respondia minhas perguntas, ouvia minhas aflições e afirmava que faria parto normal. Na verdade não tive o que reclamar dele, mas algo dentro de mim me dizia que eu acabaria em uma cesária desnecessária. Foi quando entendi que me faltava informação. Eu não sabia quando uma cesária era indicada... Como eu poderia argumentar com o médico? Principalmente porque o argumento dele seria que o meu filho estaria em risco e eu, obviamente, acataria a recomendação dele. Afinal, ele é médico-sabido-que-estudou-horrores. Então eu comecei a ler de tudo, participar de grupos de discussão e conversar muito com minhas amigas gestantes que faziam ginástica comigo. Eu e Paulo continuávamos participando de encontros e olhando meio de lado para aqueles casais que declaravam que teriam um parto domiciliar.

A preparação

Os encontros com minhas amigas da ginástica me atiçavam. Pegava as dicas e ia fazer o dever de casa (aí vai uma dica pra você, gestante. Além dos benefícios físicos da atividade física, estar em contato com outras gestantes é maravilhoso. Recomendo demais!). A cada nova informação eu entendia o que aquela fé queria me dizer. Era simples: o parto é um evento fisiológico e os procedimentos adotados pela maioria dos médicos tratam-se de intervenções e muitas vezes desnecessárias. Conheci um novo tipo de parto: o parto natural. Meu corpo está preparado. Meu filho está preparado. Somos eu e meu filho os atores deste momento. Ninguém mais. O médico irá nos assistir (nos dois sentidos da palavra) e cuidar para que tudo corra bem e que saiamos nós dois bem deste processo. Pronto! Simples assim, sem intervenções, sem prazo. A nossa hora iria chegar e estaríamos preparados.

Junto com o renascimento da minha fé surgiu um novo pensamento. Quanto mais eu lia, menos vontade eu tinha de parir em um hospital. Cada relato de parto domiciliar acendia uma luz em mim de que era isso que eu queria. Se o melhor lugar para a gestante parir é onde ela se sente mais segura, o meu parto não seria em um hospital. Comecei a jogar umas indiretas para o Paulo: “Se você não fosse contra o PD, seria uma ótima opção...” e “Quanto mais eu leio, mais o PD parece a melhor opção...”

Com 32 semanas, decidimos mudar de médico. Entrei em contato com os médicos listados como humanizados aqui em Brasília e a sorte me levou para a Dra. Caren Cupertino. Primeira consulta e a gritante diferença de como o parto é entendido. Muitas dúvidas esclarecidas em mais de uma hora de consulta. Quando eu questionei sobre as opções de hospitais para o parto humanizado, ela deu a deixa: para você, gestante de baixo risco, existe sempre a opção do parto domiciliar. Nós rimos! Paulo foi enfático: no primeiro filho não, quem sabe no segundo... Eu, mesmo sabendo que o parto "era meu", jamais iria tomar uma decisão que fosse contra a opinião do meu marido. Minha segurança estava nele. Planejamos nosso filho juntos, teríamos o nosso filho juntos também. Mas saímos de lá curiosos, não sabíamos da logística do PD, dos riscos, de nada. Tínhamos apenas um pré-conceito construído sabe-se lá de onde, que nos alertava de que em casa é perigoso. Seguro mesmo é no hospital.

Estava na hora de encontrar nossa doula e uma indicação nos levou à Taiza. Um anjo na terra. Apaixonada pelo que faz. Experiente, bem informada e com muita ternura no falar. Já no primeiro encontro a empatia/sintonia foi imediata! Seria ela quem nos acompanharia no nascimento do Lucas.

Pois bem, tudo estruturado. Faltava decidir o hospital que o Lucas iria nascer. A ideia do parto domiciliar ficava cada vez mais forte em nossos pensamentos. O Paulo já não era tão contrário. Quanto mais informações tínhamos, mas tranquilos e propensos a essa escolha nós ficávamos.

Em um dos encontros com a Taiza, no final do bate papo ela falou: “Se você tem algum assunto pendente para resolver antes do Lucas chegar, agora é a hora”. E eu tinha. Não conseguia acesso para conversar com meus pais sobre minha escolha do parto normal e, principalmente, sobre a possibilidade de um parto domiciliar. Sei que muitos casais optam por omitir a informação do PD para os familiares, mas essa não era uma opção nossa. Nossa família sempre foi muito unida. Só faríamos o PD com o consentimento deles. Chorei nesta noite, me senti culpada pela escolha que eu tinha feito. Não via uma forma de tocar neste assunto com meus pais.

Foi então que eu pensei em contar com a ajuda da Dra. Caren. Com 36 semanas, levei minha mãe comigo para conhecê-la. Saí da consulta esperançosa! Tocamos em muitos assuntos, muitos mitos, e eu percebi que minha mãe ficou um pouco mais tranquila, principalmente porque percebeu que eu estava muito bem assistida. Tentei puxar assunto durante o resto do dia com minha mãe, mas senti resistência e acabei desistindo. Na madrugada, acordei às 3h30 com uma crise de choro... Não queria que minha mãe estivesse longe neste momento... Não queria que esta fosse a primeira coisa que eu faria sem o apoio dos meus pais. Sentia um peso muito grande e a sensação de que eu estava fazendo a coisa errada... Em surdina... E era uma sensação horrível.

Na manhã seguinte, minha mãe foi em casa (íamos resolver umas coisas na rua) e eu, que ainda não havia melhorado da crise de choro, me abri com ela. O fato é que, surpreendentemente, quando ela percebeu o quanto aquilo estava me afetando, ela abaixou a guarda e disse que faria qualquer coisa para me ver tranquila. Que o importante é que eu passasse por este momento com tranquilidade. Por mim e pelo Lucas. Que eu não deveria me preocupar com isso e estaria resolvido o que eu resolvesse. Neste momento eu aproveitei para falar da vontade de ter o Lucas na casa dela, com eles presentes. Ela relutou um pouco, mas seguiu com o mesmo discurso. Ela iria se informar e se preparar.

Inicialmente meus pais concordaram, mas queriam uma ambulância na porta de casa. Eles foram totalmente incluídos no processo e tiveram encontros com toda a equipe. Primeiro a Taiza, depois a Dra. Caren e por último a Melissa (nossa Enfermeira Obstetra). Toda a equipe foi sabatinada e, como resultado da informação obtida, meus pais estavam mais tranquilos com a escolha e entenderam que não era necessária a ambulância. Que parto domiciliar está longe de ser um parto desassistido.

E, de repente, a vida nos levou para um outro lado. Não era o que havíamos pensado no início, mas não existia mais nenhum motivo para que fosse diferente... O parto domiciliar nos escolheu. Lucas nasceria em casa e a Ana Paula Batista iria registrar este momento!

O parto

Com 38 semanas me deu vontade de me isolar. Queria ficar quieta, em casa. Me conectar com o Lucas, preparar o seu novo lar. Nosso apartamento é pequeno, de dois quartos. Tivemos problemas com duas equipes de marceneiros que iriam fazer os novos móveis. A casa estava uma bagunça. Até que os armários chegassem, sentia que a casa não estava pronta para recebê-lo.

Na quinta-feira, chegaram os móveis. Só para ajudar, eles vieram com defeito e seriam retirados para alguns ajustes. Como eu já não aguentava mais aquela desordem, aproveitei o armário errado mesmo e organizei a casa. Acho que é aquela vontade de arrumar tudo que bate antes do início do trabalho de parto. Depois que terminei de arrumar a casa e o quarto do Lucas, mandei mensagem para minha família (whatsapp): “Gerando efeito psicológico de que está tudo pronto. Efeito placebo pro Lucas nascer!”. Eu não sabia o quanto isso era verdade. Naquela madrugada sonhei que meu tampão havia saído, o que foi constatado assim que acordei. Apareceu o primeiro sinal de que o Lucas estaria chegando.

No sábado começaram as cólicas, espaçadas e não ritmadas desde a madrugada, e assim foram durante todo o dia. Já umas 18 horas fizemos nossa malinha e fomos para a casa dos meus pais, onde ele nasceria.

Chegando lá, a casa estava movimentada. Todos na cozinha preparando o jantar e algumas bebidas. O clima estava ótimo e bem descontraído. As cólicas continuavam e estavam cada vez mais fortes, mas ainda bem espaçadas. Após o jantar, ficamos na sala conversando por algum tempo e cada um foi para seu quarto dormir. Eu estava pilhada, não conseguia dormir. Sabia que eu deveria, que vinha um longo trabalho a frente, mas não conseguia! Fiquei trocando mensagem com uma amiga e a Taiza até as 22h30. Conseguia dormir um pouco, mas era acordada com uma contração e acho que o susto fazia dela mais dolorida. Já havia ido ao banheiro várias vezes no período e às 23h20 meu tampão saiu. Agora foi pra valer… o que eu achava que era o tampão na sexta era só o comecinho dele. Não tive dúvidas! Estávamos evoluindo e logo logo o Lucas estaria do lado de fora. Às 23h40 voltei a dormir, mas acordei próximo a 1h da madrugada com dores bem mais fortes. Não conseguia mais ficar deitada. Acordei o Paulo. Estava em trabalho de parto ativo.

Procurei me concentrar bastante durante as contrações. Balançava o quadril pra lá e pra cá, me apoiava na bancada, no sofá, andava pela casa, uma volta no jardim. Banho. Balançava o quadril pra lá e pra cá… Marcamos as contrações até estarem de 3 em 3 minutos, quando as dores começaram a ficar bem mais intensas. Às 2h da manhã ligamos para a Taiza, que chegou em casa por volta das 3h.

Durante as contrações eu não conseguia lidar com nenhum tipo de ajuda. A Taiza tentou massagem, compressa, carinho… mas meu corpo não aceitava. A sensação que eu tinha era que todo o meu corpo estava trabalhando para a contração, e que qualquer estimulo externo desconcentraria este processo. Me sentia enjoada há algum tempo e a compressa quente me ajudou a vomitar! Fiquei mais aliviada… muito ruim fazer as coisas enjoada!

Tomei mais um banho, acho que foi quando minha bolsa estourou. Lembro de estar pingando ao sair de lá, mas não fiz a associação. Na verdade, só lembrei da bolsa quando o Lucas estava nascendo! E este foi o último banho que tomei, lembro que as dores ficaram muito mais fortes. Não encontrava posição que fosse confortável. Pedi pra entrar na banheira. Assim que entrei, relaxei imediatamente. Realmente a água quente, em especial a banheira, é um anestésico natural. Encostei minha cabeça, dormi por uma meia hora e fui de primeira classe pra Partolândia.

As dores a esta altura já eram diferentes. Já sentia meu corpo abrindo espaço para o Lucas descer. Eram fortes, mais fortes do que eu imaginava. Mas elas passam. Lembrava de respirar e esperar. E assim foi madrugada adentro. Alguns tempo depois, comecei a ficar um pouco impaciente. Na verdade não era a dor em si que incomodava ou o cansaço (que eu não sentia), mas estava era ficando um pouco ‘de saco cheio’ do processo. Perguntei pra Taiza se eu estava na fase de transição. Ela disse que ainda faltava muito. Pra quem é muito controladora, como eu, essa falta de noção do que tinha por vir incomoda um pouco (como qualquer processo desconhecido). Mas eu já estava muito pra lá da Partolândia, me recordo de algumas cenas apenas: Taiza me oferecendo mel e mamão, minha irmã trazendo água e bolacha, minha mãe aquecendo a água da banheira, e o Paulo ali do lado.


Amanheceu. Já sentia o cansaço bater, mas não via ainda o resto da equipe chegar. Se a médica e a enfermeira não haviam chegado, era porque faltava muito. Já sofria um pouco com a ansiedade. Mais um apagão de memória. E então me lembro que a equipe estava completa. Todos lá. Opa! Sinal de que o Lucas estava mais próximo do que eu imaginava!


As dores passaram. Entrei no período expulsivo e fiquei muito mais tranquila. Não sentia dor, sentia um estimulo do corpo ao fazer força. E, quando fazia, sentia um alívio. Chegava até a ser gostoso responder ao que o corpo estava pedindo. Mas a força era bruta. Foi quando o Paulo entrou na banheira e eu fiquei em uma posição mais cômoda para fazer força.


A essa altura, o banheiro estava completo. Todos enchendo o ambiente de amor para receber o nosso filho. A cada puxo, uma expectativa: Apareceu o cabelinho. Nossa! Meu filho tem cabelo! Nas ecografias era algo que não se mencionava e pouco se via. Apareceu a cabeça. Foi quase! Alguns puxos depois, na manhã do domingo (10h32 do dia 21/07/2013), com 3,780Kg e 51,5cm, Lucas pôs a cabeça no mundo!

Estava louca para conhecê-lo, então toquei sua cabeça. Senti um arrepio. A cabeça dele cabia na palma da minha mão! Que pequenininho, pensei e comentei! A equipe riu e discordou de mim. Lucas era um bebê grande! A Dra. Caren identificou a existência de uma circular. Mesmo eu sabendo que não havia risco, pedi para ela retirar a circular antes dele nascer por inteiro (acho que foi porque eu vi muitos vídeos com este procedimento - e outros tantos que a circular é retirada depois que o bebê sai todo).

Mais uma força, e senti ele chegar. Foi aparado por mim e eu o trouxe para o meu colo e demos o nosso primeiro abraço! Roxinho! Lindo! Chorão! Nasceu avisando o avô (que estava em outro cômodo) que tinha chegado!



A sensação de sentir o seu filho saindo e imediatamente poder pegá-lo, abraça-lo e recebê-lo? Difícil de descrever. Me senti corajosa, poderosa, forte, amorosa… me senti mãe! E o momento que olhei pra ele e ele abriu os olhinhos olhando pra mim? Ah! Sensação única no mundo! Completamente apaixonados estávamos eu e Paulo por nosso filhote que acabava de chegar.


Passamos o Lucas para minha mãe para conseguirmos sair da banheira. No quarto, com todo mundo por lá, decidimos fazer um churrasco para comemorar a chegada do pequeno. Afinal, domingo é o dia internacional do churrasco, não!? 


Agradecimentos

Ao meu marido, por ter me dado um filho lindo, que completou nossa família; por ter me apoiando incondicionalmente e se informado junto comigo; por ter sido o companheiro que eu precisava; por ter estado ao meu lado o tempo todo, antes, durante, depois do parto e por toda a vida.

Ao meu filho, corajoso nadador. Obrigada por ter dividido este momento comigo e ter sido tão forte nesta que foi a primeira de muitas etapas importantes da sua vida.

À Erica de Paula e Eduardo Chauvet, por terem se dedicado a construir um documentário tão especial e por terem disponibilizado o promo do filme. Com certeza foi decisivo para resgatar a minha fé em mim e a certeza de que eu estava no caminho para receber meu filho da forma que eu desejava.

Às amigas da ginástica, que abriram meus olhos e me inspiraram a me informar sobre o parto humanizado. Seu eu não as tivesse conhecido, talvez tivesse ficado com meu GO e sofrido uma cesária desnecessária.

Aos meus pais, por terem consentido em receber o Lucas em sua casa. Por terem se aberto a receber informação e por terem confiado na equipe que me acompanhava. Meu eterno obrigada!

À minha irmã, que esteve ao meu lado me dando água quando estava com sede e segurando minha mão quando uma contração chegava.

À minha tia Vivi, por ter preparado com tanto carinho o alimento que eu iria comer para repor as energias no pós parto.

À minha cunhada Lili que fez questão de estar presente para receber seu afilhado com muito amor.

Ao meu irmão e minha cunhada, que de longe torceram e vibraram com a chegada do pequeno.

À equipe que me assistiu, por terem sido tão maravilhosamente disponíveis para informar meus pais e acalentar seus corações, fazendo com que fosse possível receber o Lucas como esperávamos: respeitosamente, em ambiente familiar, direto para nossos braços.

À Ana Paula Batista, por ter registrado este momento de forma tão única e especial.