4 de dez de 2010

Notas sobre a Conferência


Gente, eu estava sumida, mas foi por uma boa causa: participei da III Conferência Internacional sobre Humanização do Parto e Nascimento, que aconteceu de 26 a 30 de novembro aqui em Brasília. Foi um evento maravilhoso, cheio de assuntos interessantes e pessoas especiais, que fizeram desses cinco dias um período de extremo aprendizado e troca de experiências. E onde eu pude ter a certeza de que estou no caminho certo, ajudando cada vez mais mães e bebês a terem um nascimento digno e amoroso!

Para quem ficou curioso sobre o evento, segue abaixo um resuminho de tudo que eu vi e vivi nesses dias.

Dia 26/11, começou com o Encontro Internacional de Doulas, num lugar lindo com muito verde e cachoeira, onde fomos todas muito bem recebidas. Primeiro teve uma Vivência de Auto-cuidado, na qual participei de “Florais da Deusa na Gestação” com a Marisilda Brochado, a vivência foi linda e profunda e os florais são excelentes para serem usados durante a gestação, parto e pós-parto - recomendo para as minhas doulandas! Em seguida, teve uma Roda de Convivência e eu escolhi “A Dor no Parto” com a Lucía Caldeyro, foi uma dinâmica muito interessante sobre formas não-farmacológicas de lidar com a dor, sentimos na prática como a respiração, o relaxamento, a meditação, a visualização e o toque são poderosos aliados no alívio da dor! De tarde aconteceu uma Mesa Redonda sobre “A Evolução da Atuação da Doula no Mundo”, mas o melhor da tarde foi, sem dúvida, a Dança Circular, com as meninas do Om Tare. Nós mulheres, juntas, unidas, de mãos dadas, num círculo enorme, dançando e cantando em reverência ao Sagrado Feminino – foi um momento intenso, forte, emocionante, repleto de magia e poder! Aho!

Vivência "Florais da Deusa na Gestação"

À noite, para fechar a sexta-feira com chave de ouro, começaram os cursos. Eu optei pelo curso de “Parto Domiciliar Planejado” com a equipe do Hanami. O site do Hanami está aí nessa barrinha do lado direito, eu sempre fui uma admiradora dessas meninas, que fazem um trabalho pioneiro no Brasil e o curso só veio aumentar ainda mais minha admiração! O Hanami é formado por sete enfermeiras-obstetras que acompanham partos domiciliares planejados em Florianópolis, elas trabalham sempre em equipe de três ou quatro e desenvolveram todo um esquema de atendimento que prima pela segurança, conforto e respeito às escolhas da gestantes! Trabalho lindo, que vale a pena conhecer, aprendi muito com essas meninas! À elas, muito obrigada por partilhar conosco tanta sabedoria e respeito ao parto!

Equipe Hanami

Os cursos acabaram no fim da tarde de sábado e nessa mesma noite, do dia 27/11 aconteceu a abertura da Conferência, que contou com a participação do Ministro da Saúde José Gomes Temporão, que falou sobre “O esforço brasileiro para reduzir a mortalidade infantil e materna: a Saúde e a abordagem intersetorial”.

Dia 28/11, o domingão começou cedo: de manhã assisti a um Painel de Experiências Bem Sucedidas, o tema era “Experiências de humanização no período neonatal – do cuidado na atenção básica à UTI”, que mostrava os excelentes resultados no Método Canguru na humanização da assistência neonatal. Interesso-me muito pelo assunto e adorei conhecer a Dra. Zeni Lamy, neonatologista maranhense com vasta experiência no Método Canguru, de quem eu já havia lido muitos artigos. Após o almoço, participei de uma Mesa Redonda sobre “Efeitos da cesárea na saúde de recém-nascidos sadios”, o ponto forte foi a participação do pediatra Dr. Ricardo Chaves e da Dra. Maria do Carmo Leal, médica e pesquisadora, que estava colhendo dados para uma pesquisa sobre a cesárea no Brasil – fazendo uma retrospectiva, essa foi a melhor Mesa Redonda que participei na Conferência! Em seguida, teve um Espaço Dialogado, escolhi o “Parto na Água”, apresentado pela equipe da Maternidade La Primavera, do Equador. Muito legal a proposta deles, adorei os vídeos dos partos, muito tocante, e acabei comprando o DVD deles para saber mais sobre o trabalho.

Para começar bem a semana, dia 29/11 assisti primeiro o Painel “Algumas iniciativas de humanização e redução de cesáreas na Saúde Suplementar”, apresentado por duas médicas obstetras e que foi muito interessante, pois contou também com a presença de uma representante da ANS e outro do CFM, aí a mulherada fez pressão para mudanças urgentes no setor privado de Saúde. À tarde, fui à Mesa “Movimentos pela humanização nacionais e internacionais”, que me abriu os olhos para a real necessidade do engajamento, principalmente de nós mulheres, na luta por mudanças na realidade obstétrica do nosso país. Depois, eu e minha querida amiga Inês Baylão sentamos na primeira fila do Espaço Dialogado sobre “Parto vaginal após cesárea” e adoramos tudo que ouvimos, certas de que o PVAC é uma opção segura e viável, mas infelizmente pouco difundida no Brasil.

O último dia da Conferência (30/11) foi de grandes emoções! De manhã entrei na sala do Painel “Ativismo pelas mulheres e pelo parto humanizado”, o ponto forte ficou por conta das tantas mulheres lindas, poderosas, mamíferas e militantes de uma causa super nobre: o direito das mulheres de terem um parto natural, digno, empoderado e protagonizado por elas e dos bebês de nascerem de forma respeitosa e amorosa! A tarde começou com uma Mesa Redonda no auditório principal sobre “O potencial de trabalho das doulas” e de novo o ponto forte foram as mulheres! Doulas e mulheres de vários cantos do mundo deram-se as mãos e formaram uma imensa roda no corredor do auditório para celebrar e agradecer esse encontro tão cheio de energia feminina e que nutriu à todas nós de força e fé para seguirmos nosso caminho! O encerramento foi uma conferência virtual com o Dr. Michel Odent, médico obstetra francês, um dos precursores do parto humanizado no mundo e autor de diversos livros sobre o tema. Ele falou sobre um tema que é a pedra no sapato de quem luta pela humanização do parto e nascimento no Brasil – “Cesárea: a necessária e a desnecessária”. Num país onde os médicos dão as desculpas mais esfarrapadas para fazerem uma cesárea e as gestantes acabam aceitando por medo de pôr em risco a sua saúde e do bebê, fica difícil distinguir quando a cesárea é realmente necessária, gerando deturpação e discriminação de um procedimento que, quando bem indicado, salva muitas vidas!

Doulas em roda para celebrar o feminino!

Só não consegui assistir a nenhuma palestra noturna, pois precisava ir pra casa para ficar um pouco com minha filhinha, que já passava o dia todo sem a mãe, né?!

Nem preciso dizer que adorei esses cinco dias! Foram tão intensos e com uma carga emotiva tão forte que precisei descansar o resto da semana! Amei, já estou com saudade, quero mais...