15 de jun de 2011

Posição como mãe dorme aumenta chance de morte prematura do bebê



Mulheres que dormem sobre o lado direito do corpo ou com a barriga para cima no fim da gravidez tem duas vezes mais chances de morte prematura do bebê do que as mães que dormem apoiadas sobre o lado esquerdo, segundo cientistas.

Uma nova pesquisa, feita na Universidade de Auckland, na Nova Zelândia, afirma que as mães que dormem sobre o lado esquerdo do corpo nas últimas noites antes do parto têm 1,9 de chance em mil de terem bebês natimortos. Em mulheres que dormem em outras posições, a chance aumenta para 3,9 por mil nascimentos.

Os resultados foram divulgados na publicação científica British Medical Journal. É o primeiro estudo de casos de bebês natimortos no mundo que analisa o efeito da forma como as mães dormem na saúde do feto. Os pesquisadores neozelandeses analisaram 310 mulheres neozelandesas que estavam grávidas e outras 155 que tiveram bebês natimortos quando estavam por volta da 28ª semana de gravidez, entre 2006 e 2009.

As mães tiveram que responder perguntas sobre a posição em que dormiam, a duração do sono e se acordavam freqüentemente antes da gravidez ou durante o último mês, semana e noite da gestação. Os cientistas queriam examinar o efeito de distúrbios do sono como apnéia e ronco na gravidez, já que eles poderiam causar a diminuição do oxigênio que chega ao bebê. No entanto, a análise dos casos mostrou que a posição em que as mães dormiam era um fator mais determinante das mortes prematuras.

Uma das possibilidades apontadas pelo estudo é a de que, quando a mãe dorme de costas ou sobre o lado direito, o feto poderia comprimir sua veia cava inferior, que leva o sangue para o coração. Isso diminuiria a quantidade de sangue oxigenado que volta do coração para os órgãos da mãe e, em conseqüência, para o bebê. "Pode acontecer um fluxo restrito de sangue para o bebê quando a mãe se deita de costas ou sobre o lado direito por longos períodos de tempo", afirmou o professor Lesley McCowan, chefe do departamento de Ginecologia e Obstetrícia da universidade. "Se confirmarmos (esta teoria) com estudos futuros, talvez possamos reduzir o número de mortes prematuras em até um terço, o que é muito bom", disse.

A pesquisadora Tomasina Stacey, que conduziu o estudo, disse ainda que é cedo para pedir que todas as mães durmam somente do lado esquerdo no fim da gravidez, uma vez que novas pesquisas devem ser feitas para comprovar a descoberta. Mas em entrevista ao jornal britânico The Guardian, ela disse que, se a associação for provada, pode ser possível mudar o índice de mortes prematuras orientando as mães da maneira correta.


Fonte: Folha Online

1 de jun de 2011

Mamaço Nacional: Brasília vai participar!


Divulgando aqui o Mamaço Nacional em Brasília, que está sendo organizado pela Paloma Varón!

Vamos participar mulherada mãe-mamífera-nutriz!

Clarice recém-nascida mamando no parque Olhos D'Água

No próximo domingo, dia 5 de junho, comemora-se o Dia do Meio Ambiente e, paralelamente a isso, haverá um Mamaço Nacional, com adesão de várias cidades. E Brasília não vai ficar de fora.

Local: Parque Olhos D’água (Asa Norte) - as mães se reunirão no gramado atrás da Administração do parque; levem toalhas para piquenique e comidinhas saudáveis para a confraternização das mam(m)as!

Hora: 15:30h

Se você amamenta, não deixe de participar. Se você apoia a amamentação, compareça para prestigiar o evento.

Amamentar é um ato de amor, mas não só. É natural, é fisiológico, é nutrição, é carinho e acolhimento. Não podemos restringir este direito às mulheres e às crianças.

Como eu mesma disse num post recente sobre amamentação em público, se dar de mamar significa nutrir, acolher e amar nossos filhos, se isso deveria ser feito de acordo com suas necessidades - e não com as nossas, pois somos nós, adultos, que vivemos no mundo do relógio e das obrigações com hora marcada -, por que uma mulher não poderia amamentar o seu filho (bebê ou criança) fora de casa? Não a qualquer tipo de proibição; sim à livre demanda!

Confira mais informações sobre o Mamaço Nacional aqui e aqui. Participe, apoie e divulgue esta iniciativa!

Clique aqui e conheça a história que deu origem ao protesto!












4 de mai de 2011

Manifesto pela amamentação


Raquel Hönig amamentou grávida e depois dois filhos de idades diferentes. Imagem daqui.

Manifesto pelo direito das mães de não serem separadas de seus filhos logo após o seu nascimento e de permanecerem com eles o tempo todo pelo menos durante a primeira hora após o parto. Um recém-nascido não deve ser afastado de sua mãe, a não ser em períodos muito breves, em caso de extrema necessidade, e não deve ser deixado em berçários.


Manifesto pelo repúdio à alimentação artificial em maternidades, sem indicação clínica, quando a criança está apta a mamar e a mãe, disponível para amamentar. Água glicosada ou qualquer outro recurso que prejudique o reflexo de sucção do bebê são inaceitáveis.


Manifesto pelo direito das mães com dificuldades para amamentar de receberem apoio e orientação adequados por parte dos profissionais de saúde e da família. Mães com dificuldades de amamentação precisam de encorajamento e solidariedade.


Manifesto pelo direito das mães de amamentarem em livre demanda, sem serem desencorajadas por profissionais de saúde ou parentes sob o argumento de que os bebês têm de ter hora para mamar. Os bebês têm direito ao seio sempre que necessitarem, de dia ou de noite.


Manifesto pelo direito das lactantes de não serem pressionadas por parentes, profissionais de saúde, amigos ou conhecidos a oferecerem mamadeiras e chupetas. As mães são as principais responsáveis pelos cuidados com os seus filhos e devem ter o direito de alimentá-los de forma natural e instintiva.


Manifesto pela urgência de os pediatras serem profissionais e éticos ao interpretarem as curvas de crescimento, sem indicar alimentação complementar precoce a um bebê saudável simplesmente porque ele não se encaixa no padrão médio. Cabe aos médicos avaliarem se alterações nos padrões de engorda ou de crescimento são patológicos ou fisiológicos.


Manifesto pelo direito de uma mãe de manter o aleitamento exclusivo durante os seis primeiros meses de vida de seu bebê, sem ser assediada por parentes, profissionais de saúde, amigos ou conhecidos para que ofereça outros alimentos sem necessidade.


Manifesto pelo direito das mães que trabalham fora de casa de terem em seu ambiente de trabalho um local adequado, com higiene e condições de armazenamento do leite, para fazer a ordenha, seja para alívio das mamas, para a estocagem de leite a ser oferecido a seu filho na sua ausência ou para doação aos bancos de leite. As empresas devem oferecer condições para que suas funcionárias mantenham o aleitamento após seu retorno ao trabalho, seja flexibilizando seus horários, mantendo creches em seus recintos, instalando salas de ordenha ou permitindo que a criança seja trazida à mãe para receber o seio.


Manifesto pelo direito de toda mulher que trabalha fora de casa a gozar de uma licença maternidade de seis meses. Seu retorno ao trabalho também deveria ser facilitado, com possibilidade de redução de jornada com o recebimento proporcional do pagamento ou flexibilização de horários.


Manifesto pelo direito dos bebês de serem amamentados enquanto necessitarem, mesmo que esse tempo supere o período considerado aceitável pela nossa sociedade.


Manifesto pelo direito de as mães amamentarem seus filhos em público, quando necessário, sem serem condenadas por pudores hipócritas.


Manifesto pelo direito de as mães amamentarem durante a gestação, ou amamentarem mais de uma criança simultaneamente, sem serem ameaçadas com dados inverídicos acerca de efeitos nocivos para a criança que mama ou para o feto.


Manifesto pelo direito de as mães amamentarem livremente, e de os bebês mamarem livremente, sem serem alvo de preconceito ou ignorância.


Lia Miranda


Esse manifesto inspiradíssimo foi escrito pela Lia Miranda do blog um, dois, três, saco de farinha!

6 de abr de 2011

Não à banalização da cesárea


Li essa matéria muito bacana no blog da Pris, sobre a rede Parto do Princípio e a revolução feminina em busca de formas de gestar, parir e maternar mais naturais, respeitosas e amorosas. 


Geozeli Camargos optou não apenas pelo parto normal, mas deu a luz a Téo na companhia da família em um procedimento domiciliar assistido por enfermeiras obstetras. Foto: Kalu Brum / Divulgação.

Mulheres se unem por uma nova forma de gestar, parir e viver, valorizando o parto normal. O que se pretende é respeitar o ritmo natural e o nascimento.

Elas estão operando uma verdadeira revolução silenciosa e resgatando sensações, sentimentos e nuances quase esquecidos em um mundo em que a tecnologia e as relações impessoais estão prevalecendo.
 
No Brasil, são mais de 200 mulheres voluntárias espalhadas em 21 Estados mais o Distrito Federal, trabalhando diariamente pela internet desde 2006. Uma malha virtual (website, blog e lista de discussão) que vai atraindo adeptas pela melhoria das condições de atendimento ao parto no país.
 
Estamos falando da rede Parto do Princípio - Mulheres em Rede pela Maternidade Ativa. Na verdade, uma lista de discussão em que as participantes se comunicam, articulam demandas e se dividem em múltiplas ações planejadas que buscam dar visibilidade a um trabalho de delicadeza com a maternidade.


 
Segundo Pollyana do Amaral Ferreira, membro da rede, o propósito é o resgate do parto humanizado, ativo, do protagonismo da mulher nesse processo e lutar contra a banalização da cesárea.
 
"Entendemos o parto como evento sexual, feminino, cultural e fisiológico, e a mulher, como sujeito ativo e central desse processo. A mulher deve ser informada antes e durante o nascimento do filho dos prós e contras de cada escolha e decidir, juntamente com a equipe de assistência, por uma experiência feliz, saudável e segura para ela e seu bebê que chega ao mundo trazendo emoções repletas de significado".
 
Para a jornalista Daniela Buono, a ciência está reconhecendo que, embora os avanços tecnológicos e a institucionalização do parto tenham proporcionado maior controle dos riscos materno-fetais, houve incorporação de muitas intervenções desnecessárias. "É preciso re-significar o nascimento e mudar a cultura do parto porque há muita violência imposta à gestante. É preciso respeitar o ritmo natural e o simbolismo transformador do nascimento".
 
A Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda que o alívio da dor do trabalho de parto deve ser feito por meios não invasivos e não farmacológicos, como massagens e técnicas de relaxamento.
 
Mas não é o que vem acontecendo. "Mesmo quando se faz um parto normal são utilizados procedimentos de rotina e interferências obstétricas desnecessárias. Elas inibem o desencadeamento natural dos mecanismos fisiológicos de parto e ele passa a ser sinônimo de patologia e de intervenção médica", comenta a jornalista.
 
Por isso, muitas mulheres acabam acreditando que a cesárea é a melhor forma de dar à luz. "Elas veem nela a possibilidade de um parto sem medo e sem dor, mas a cesárea é uma cirurgia de grande porte que deveria ser utilizada apenas em caso de emergência, para salvar a vida da mãe ou do bebê. A possibilidade de um parto normal deixou de ser prática, mesmo quando essa é a expectativa da mulher", pontua Daniela.



Revolução particular feminina

Renata Penna, atriz, escritora e tradutora, explica que a rede Parto do Princípio reúne mulheres que encaram a gestação, o parto e a amamentação como processos naturais, fisiológicos, instintivos, carregados de significado e beleza, e nos quais a mulher pode e deve assumir seu papel de protagonista.
 
A proposta da rede é oferecer apoio não apenas emocional, mas também prático para que as grávidas possam descobrir a infinidade de possibilidades que a maternidade ativa oferece àquelas que desejam tomar em suas mãos as rédeas de sua vida.
 
"É preciso, antes de tudo, que cada mulher encontre dentro de si a força e a possibilidade da mudança. E é este que pensamos ser nosso papel: estender a mão a cada mulher que deseje vivenciar sua gravidez ativa e conscientemente e parir de forma natural e transformadora", explica Renata.
 
Ela ressalta que os ideais e valores que movem a entidade não se baseiam apenas em verdades ou crenças pessoais, mas em evidências científicas, parâmetros médicos e diretrizes determinadas por organismos de credibilidade mundial como a OMS.
 
Além disso, a essência do trabalho da rede é afetiva. "Deixamos que falem mais alto nossos corações de mulher, gestante e mãe. A nossa bandeira é uma nova forma de gestar, parir e maternar. Partimos do princípio de que toda mulher pode e tem em si a força para fazer sua revolução particular por uma nova forma de nascer e por uma nova maternidade", defende Renata.

Por Ana Elizabeth Diniz

22 de mar de 2011

Abaixo-assinado em apoio à continuidade do curso de Obstetrícia da USP


Gente, eu queria escrever um post em apoio à manutenção do curso de Obstetrícia da USP, mas ninguém melhor do que a Dra. Carla Polido, uma médica obstetra, para falar da relevância desse curso na melhora da realidade obstétrica do nosso país. O trecho abaixo foi retirado do blog dela: Parir é Natural.



 
A evidência científica sugere que toda parturiente de baixo risco deveria ser atendida no parto por uma parteira, ao invés de um médico.

Apesar de isso soar estranho aos ouvidos dos brasileiros, a prática obstétrica nos países de referência quanto à mortalidade materna e perinatal segue à risca as recomendações da OMS, embasadas nas metanálises da Cochrane. A conclusão dos revisores sobre o assunto é clara e contundente:

"O cuidado obstétrico por parteiras garante benefícios e não mostra nenhum efeito adverso. Deve ser a regra de assistência no baixo risco. (...) Gestores de serviços que desejam atingir melhoras significativas em saúde materna, principalmente quanto à humanização do nascimento e aumento de partos normais, deveriam considerar a implantação de modelos de assistência baseados em parteiras".
 
Aqui o link para o resumo da metanálise da Cochrane.
 
No Brasil, a formação de "parteira" ou "midwife" profissional pode ser adquirida através do curso de graduação em enfermagem, e posterior especialização em enfermagem obstétrica, ou através da formação única e humanista de toda a graduação em Obstetrícia. O curso de Obstetrícia é oferecido pela USP no campus leste.
 
Lamentavelmente, há um questionamento sobre a continuidade do curso. Vejam abaixo a carta da professora Simone Diniz, da Faculdade de Saúde Pública da USP.
 
Eu considero a continuidade do curso fundamental para a melhora da qualidade do atendimento obstétrico no Brasil.
 
Se você concorda comigo, rubrique o abaixo-assinado!
 
Carla Polido

---
 
"Estimados colegas,
 
Como vocês devem estar acompanhando, a Reitoria da USP ameaça não oferecer o curso de Obstetrícia no vestibular de 2012. Isto porque o Conselho Federal de Enfermagem se recusa a aceitar o registro das obstetrizes (apesar delas terem seu direito de registro garantido na justiça). Como tenho muitas amigas enfermeiras e tenho grande respeito por esta profissão, quero dizer que muitas discordam desta atitude do seu conselho e acham que as enfermeiras e obstetrizes devem estar unidas na luta por uma assistência ao parto que respeite os direitos da mulher.
 
Como ativistas e pesquisadores no campo de saúde e direitos da mulher, sabemos que o que o Brasil precisa hoje é de profissionais capazes de facilitar o parto fisiológico, promover um parto seguro e respeitoso, e reduzir as inaceitáveis taxas de episiotomias, induções, kristeller e outras intervenções obsoletas, agressivas, dolorosas e arriscadas no parto. Este cenário de parto agressivo somado à violência institucional e ao desrespeito ao direito a acompanhantes, faz com que muitas mulheres, para escapar da violência, prefiram uma cesárea desnecessária, com todos os riscos implicados para mãe e bebê. Ou seja, temos um conflito de interesses: manter as coisas como estão – um “parto pessimizado”, favorece aqueles profissionais que se beneficiam com este modelo violento, pois assim podem impor às mulheres o “modelo da cesárea de rotina” como alternativa “melhor”.
 
*A parteira de nível universitário é a profissional que atende os partos das mulheres saudáveis nos países desenvolvidos, e que está associada aos melhores resultados maternos e neonatais*. O Brasil precisa desta profissional com urgência, em um sistema de atenção integral e hierarquizado, principalmente agora que estamos nos perguntando os porquês do aumento das taxas de mortalidade e morbidade materna, e os porquês de tanta violência no parto.
 
Se você se importa com este quadro, rogo que assine o abaixo-assinado pedindo a manutenção do curso.
 
Convidamos também para a manifestação na porta da Reitoria da USP, no dia 22/03 às 9:00h

Peço ainda que se este assunto toca você, convide os amigos e colegas, e divulguem nas suas listas e redes sociais esta luta.
 
Um abraço e preparem seus cartazes, dia 22 iremos às ruas, será nosso dia de fúria.
 
Simone Diniz - Faculdade de Saúde Pública da USP”

PS: veja sobre a manifestação de hoje no blog Parto no Brasil. E ainda dá tempo de participar do abaixo-assinado!

21 de mar de 2011

Exercitar-se na hora do parto reduz chance de cesárea e dor


Hoje eu encontrei este artigo meio antiguinho entre as minhas coisas e resolvi postá-lo, pois é sobre um assunto muito pertinente: a importância do exercício durante o trabalho de parto!
 

Praticar exercícios fisioterápicos durante o parto aumenta a tolerância à dor, reduz o uso de fármacos e diminui o tempo até o nascimento do bebê, conclui um estudo feito no Hospital Universitário da USP. Entre as grávidas que fizeram as atividades, o índice de cesarianas ficou em 11%. A média, na instituição, é de 20%.

No SUS, a taxa de cesáreas é de 28% e na rede privada e suplementar chega a 90%. A OMS (Organização Mundial da Saúde) recomenda que o índice seja de, no máximo, 15%.

Na pesquisa, foram avaliadas 132 gestantes do primeiro filho, com gravidez a termo: 70 foram acompanhadas por fisioterapeuta e fizeram os exercícios preconizados no trabalho de parto e outras 62 tiveram acompanhamento obstétrico normal, sem os exercícios. As gestantes do estudo foram orientadas a ficar em várias posições, fazer movimentos articulares e pélvicos, relaxamento do períneo e coordenação do diafragma.

A fisioterapeuta Eliane Bio, autora do estudo, diz que, além da redução do número de cesáreas, os exercícios diminuíram a dor e a duração do trabalho de parto de 11 para 5 horas. "Nenhuma parturiente do nosso grupo precisou de analgésico". No grupo controle, 62% usaram drogas de analgesia.

No Brasil, exercícios no trabalho de parto estão restritos aos poucos centros médicos que incentivam o parto normal, mas, em países como a Inglaterra e a Alemanha, vigoram há mais de 40 anos. Na França, toda grávida é orientada a fazer ao menos 12 consultas com o fisioterapeuta no pré-natal.

Segundo Bio, os exercícios remetem à livre movimentação que, no passado, a mulher tinha em casa durante o parto. "Temos que estimular as habilidades do corpo da mulher para o parto, prevenindo traumas no períneo, levando a uma vivência menos dolorosa, resgatando a poesia do nascimento".

Segundo ela, os procedimentos fisioterápicos preconizam a participação da mulher em todo o processo de parto, com a livre escolha de posições durante as contrações.

O obstetra Artur Dzik, diretor da Sociedade Brasileira de Reprodução Humana, diz que o estudo é benfeito (prospectivo, randomizado e com um número significativo de voluntárias). "Tudo o que estimula responsavelmente o parto normal é bem-vindo num país com altíssima incidência de cesárea".

Para ele, o ponto principal do trabalho foi ter mostrado que o acompanhamento fisioterápico retarda a necessidade de analgesia, diminuindo o tempo do trabalho de parto.

Na opinião de Renato Kalil, ginecologista e obstetra da Maternidade São Luiz, o mérito do trabalho de Bio é ter "colocado no papel" a eficácia dos exercícios. "Minhas pacientes fazem isso há 22 anos, mas ainda são exceções. Na maioria dos hospitais, a grávida fica deitada esperando a hora da cesárea."

Ele pondera que o trabalho não consegue demonstrar de que forma ocorre o relaxamento provocado pelos exercícios. "Um médico adepto da cesárea diria que seria preciso medir os impulsos elétricos do músculo para comprovar o relaxamento. Mas, na prática, sabemos que a movimentação funciona".
 

11 de fev de 2011

Janet Balaskas e o Parto Ativo no Brasil


Não podia deixar de divulgar este evento inédito e imperdível! Aliás, uma série de eventos, em abril, nas cidades de Curitiba e São Paulo, para profissionais e casais grávidos. Quem for com certeza não irá se arrepender!

Para saber mais clique na imagem abaixo

7 de fev de 2011

Sobre o uso excessivo da tecnologia no nascimento


Trecho do artigo “Technology in birth: first do no harm” publicado no site Midwifery Today e traduzido por Rosana Oshiro do blog Materna Japão.

Vale a pena ler e refletir até onde a tecnologia é importante e/ou segura durante a gestação e o parto, dois eventos fisiológicos que na grande maioria das vezes transcorrem naturalmente, sem precisar da interferência de nada nem de ninguém!


Uma mulher de Iowa foi recentemente encaminhada a um hospital universitário durante o trabalho de parto por causa de possíveis complicações. Lá, ficou decidido que a cesariana deveria ser feita. Depois que a cirurgia foi concluída e que a mulher estava de repouso pós-operatório em seu quarto no hospital, ela entrou em choque e morreu. Uma autópsia revelou que, durante a cesariana, o cirurgião acidentalmente pegou a artéria aorta, a maior artéria do corpo, levando a uma hemorragia interna, choque e morte.

A cesariana pode salvar a vida da mãe ou do bebê. A cesariana também pode matar a mãe ou o bebê. Como pode ser isso? Porque cada simples procedimento ou tecnologia utilizada durante a gravidez e o nascimento traz riscos tanto para mãe e bebê. A decisão de usar a tecnologia deve ser pautada pelo bom senso, já que pode tornar as coisas melhores ou piores.

Estamos vivendo na era da tecnologia. Desde que o homem conseguiu ir à Lua, nós acreditamos que a tecnologia pode fazer de tudo para resolver todos os nossos problemas. Assim, é natural que os médicos e os hospitais estejam usando mais e mais a tecnologia durante a gestação e o parto. Mas a tecnologia tem resolvido todos os problemas que podem surgir durante o parto? Dificilmente. Vamos dar uma olhada no histórico recente.

O aumento recente do uso da tecnologia durante a gravidez e o parto resultou em menor número de bebês mortos ou com seqüelas?

Nos Estados Unidos, não houve diminuição nos últimos 30 anos no número de bebês com paralisia cerebral. A maior causa de morte em recém-nascidos é um peso muito baixo, mas o número de bebês de baixo peso nascidos também não diminuiu nos últimos 20 anos. O número de bebês que morreram ainda no útero não diminuiu em mais de uma década. Nos últimos 10 anos, houve uma ligeira queda no número de bebês que morreram durante a primeira semana de vida. Porém os dados científicos sugerem que houve um aumento do número de bebês que sobrevivem à primeira semana, mas que têm danos cerebrais permanentes.

O uso crescente da tecnologia salvou mais vidas de gestantes e parturientes?

Nos Estados Unidos, os dados científicos não mostram diminuição nos últimos 10 anos no número de mulheres que morreram no período perinatal (mortalidade materna). Na verdade, dados recentes sugerem um aumento assustador no número de mulheres que morrem durante a gravidez e no parto nos Estados Unidos. Então, pode-se dizer que o aumento do uso da tecnologia no nascimento não só "não salva" mais vidas de mulheres, como também "mata" mais mulheres. Esta possibilidade tem uma explicação científica razoável: a cirurgia cesariana e a anestesia epidural, ambas tem sido utilizadas cada vez mais neste país e sabemos que elas também podem resultar em morte.

Nós não deveríamos ficar surpresos com esse histórico recente (e ruim) do nascimento com uso de alta tecnologia.

Por muitas décadas, no meio do século 20, o número de crianças que morriam em torno do período de nascimento foi diminuindo. Isso ocorreu não devido aos progressos da medicina, mas principalmente pelos avanços sociais: a diminuição da pobreza extrema, uma melhor alimentação e melhor habitação. E o mais importante, a diminuição da mortalidade foi devido ao planejamento familiar, resultando em menos mulheres com muitas gestações e partos.

O atendimento médico também foi responsável por alguns dos índices de diminuição da mortalidade dos bebês, não por causa de intervenções de alta tecnologia, mas por causa de avanços médicos básicos, tais como a descoberta dos antibióticos e a capacidade de dar transfusões de sangue seguras.

Nunca houve qualquer evidência científica de que as intervenções de alta tecnologia, tais como o uso rotineiro de monitoramento eletrônico fetal durante o trabalho de parto, pudessem diminuir a taxa de mortalidade de bebês. (*ou que o uso excessivo de ultra-sons durante a gestação pudesse trazer ao mundo um bebê mais saudável)

O que isto significa é que "colocar-se nas mãos de um médico e de um hospital de alta tecnologia" não garante um nascimento mais seguro. Cada pessoa deve assumir a responsabilidade por seu parto, incluindo a decisão de usar ou não a tecnologia em si mesma e em seu bebê.

Lembre-se, a tecnologia não é "boa ou ruim", mas pode ser utilizada de forma boa ou ruim.

Os aviões podem ser usados para levar você para visitar sua família num lugar distante, ou pode ser usado para lançar bombas sobre mulheres e crianças. A tecnologia usada durante a gravidez e o parto pode ajudar você e seu bebê, caso um de vocês precisem, mas também pode vir a prejudicar você ou seu bebê.

*trecho acrescentado por Rosana Oshiro, em relação à quantidade abusiva de ultra-sons realizados no Japão (o mesmo ocorre também no Brasil).

3 de fev de 2011

Por que as taxas de cesárea são tão elevadas no Brasil?


Depois de um fim de ano extenuante e de um período sabático para renovar as energias, estou de volta ao blog! Sei que estou um pouco atrasada, mas antes tarde do que nunca: Feliz 2011 para todos meus queridos leitores!

Para começar o ano com pé direito nada melhor que o mais recente artigo publicado pela Dra. Melania Amorim, sobre a verdade por trás das altas taxas de cesáreas realizadas no Brasil.


Como comentamos no primeiro artigo desta série, as taxas de cesárea no Brasil têm se mantido em ascensão desde a década de 70 e atualmente correspondem a 47,4% dos partos (1). Essas taxas elevadas são decorrentes de um excesso de cesarianas realizadas sem indicação médica definida e se associam com aumento da morbimortalidade materna e perinatal (2, 3, 4).

Quando questionados sobre os motivos do excesso de cesáreas, muitos obstetras irão dizer que a principal causa é o desejo materno, a chamada "cesárea a pedido". Os debates éticos sobre cesariana a pedido são freqüentes e já motivaram pareceres da Federação Brasileira das Sociedades de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO), dos Conselhos Regionais (CRM) e do próprio Conselho Federal de Medicina (CFM). Defende-se, e considera-se ético, o direito da mulher de escolher o tipo de parto. A principal justificativa é que os riscos absolutos da cesariana são mínimos e que se deve resguardar o princípio da autonomia (5, 6).

Infelizmente, essa justificativa só tem funcionado no sentido de defender o direito à "escolha" da cesariana, sendo a autonomia feminina freqüentemente desrespeitada quando a mulher deseja um parto normal. Diversos estudos têm demonstrado que a maioria das mulheres brasileiras deseja um parto normal, embora apenas 20% das usuárias de convênio o consigam (7, 8, 9).

Um grande estudo publicado em 2001 por Potter et al. envolveu entrevistas com 1136 mulheres brasileiras. Cerca de 70 a 80% referiram preferência pelo parto normal e não houve diferença nessa preferência entre as pacientes atendidas pelo setor privado e pelo setor público, embora a taxa real de cesarianas tenha sido de 72% e 31% nesses grupos, respectivamente (7). Os autores concluíram que a grande diferença observada entre as taxas de cesariana no setor público e no setor privado é devida a uma maior taxa de cesarianas não desejadas no setor privado e não à preferência das mulheres por uma operação cesariana. Desta forma, a elevação das taxas de cesariana no Brasil não necessariamente reflete uma maior demanda por esta via de nascimento.

Em outro estudo publicado em 2008, os mesmos autores demonstraram que a maioria dessas cesáreas foi realizada por causas médicas não justificadas, principalmente entre as mulheres que, durante o pré-natal, tinham declarado preferência pelo parto normal! Os autores sugerem que os médicos freqüentemente persuadem suas pacientes a aceitar uma cesariana programada por razões que não existem ou que não justificam este procedimento (8).

Em resumo, embora eventualmente algumas mulheres possam preferir uma cesariana e solicitar que o nascimento ocorra por esta via, as evidências demonstram que a maioria das mulheres brasileiras prefere o parto normal. Há um nítido descompasso entre o discurso médico e a voz das mulheres. Os primeiros alegam que grande parte das cesarianas eletivas sem indicação médica definida ocorre por solicitação das mulheres, enquanto estas últimas afirmam querer o parto normal (7- 9).

Por que então ocorrem as cesarianas? Há uma escassez de estudos sobre os motivos alegados para a realização das cesáreas, porém a freqüência com que estas ocorrem especialmente no setor privado, sugere que muitas são realizadas por indicações duvidosas ou pretextos que não encontram suporte na literatura científica (7-11). Predominam as cesarianas eletivas (fora do trabalho de parto), atribuídas a circulares de cordão, redução do líquido amniótico, bebês "grandes demais" ou "pequenos demais", mitos desprovidos de fundamento que se vão perpetuando no imaginário popular.

A discussão constante sobre cesarianas a pedido, que respondem por uma minoria das cesarianas realizadas em nosso país, escamoteia essa face do problema. É preciso trazer à luz uma questão das mais relevantes: não é ético concordar com a mulher que durante o pré-natal verbaliza seu desejo de um parto normal e depois "criar" justificativas para realizar uma cesariana (10). Estima-se que 60% das cesarianas realizadas correspondam a razões "médicas" duvidosas ou não justificadas! (7-11).

Referências:
1. Departamento de Informática do SUS. Sistema de Informações de Nascidos Vivos. Disponível em: http://tabnet.datasus.gov.br/cgi/tabcgi.exe?idb2009/f08.def. Acesso em: 18.01.2011.
2. Villar J, Valladares E, Wojdyla D, Zavaleta N, Carroli G, Velazco A, Shah A, Campodónico L, Bataglia V, Faundes A, Langer A, Narváez A, Donner A, Romero M, Reynoso S, de Pádua KS, Giordano D, Kublickas M, Acosta A; WHO 2005 global survey on maternal and perinatal health research group. Caesarean delivery rates and pregnancy outcomes: the 2005 WHO global survey on maternal and perinatal health in Latin America. Lancet 2006; 367:1819-29.
3. Lumbiganon P, Laopaiboon M, Gülmezoglu AM, Souza JP, Taneepanichskul S, Ruyan P, Attygalle DE, Shrestha N, Mori R, Nguyen DH, Hoang TB, Rathavy T, Chuyun K, Cheang K, Festin M, Udomprasertgul V, Germar MJ, Yanqiu G, Roy M, Carroli G, Ba-Thike K, Filatova E, Villar J; World Health Organization Global Survey on Maternal and Perinatal Health Research Group. Method of delivery and pregnancy outcomes in Asia: the WHO global survey on maternal and perinatal health 2007-08. Lancet 2010; 375: 490-9.
4. Betrán AP, Merialdi M, Lauer JA, Bing-Shun W, Thomas J, Van Look P, Wagner M. Rates of caesarean section: analysis of global, regional and national estimates. Paediatr Perinat Epidemiol 2007; 21: 98-113.
5. Parecer CREMERJ 190/2008. Disponível em: http://www.cremerj.org.br/skel.php?page=legislacao/resultados.php. Acesso em: 18.01.2011.
6. Ferrari J. A autonomia da gestante e o direito à cesárea a pedido. Revista Bioética 2009; 17: 473-85. Disponível em: http://revistabioetica.cfm.org.br/index.php/revista_bioetica/article/viewFile/512/513.
7. Rebelo F, da Rocha CM, Cortes TR, Dutra CL, Kac G. High cesarean prevalence in a national population-based study in Brazil: the role of private practice. Acta Obstet Gynecol Scand. 2010; 89: 903-8.
8. Potter JE, Berquó E, Perpétuo IH, Leal OF, Hopkins K, Souza MR, Formiga MC. Unwanted caesarean sections among public and private patients in Brazil: prospective study. BMJ. 2001; 323: 1155-8. Disponível em: http://www.bmj.com/content/323/7322/1155.full.pdf.
9. Potter JE, Hopkins K, Faúndes A, Perpétuo I. Women's autonomy and scheduled cesarean sections in Brazil: a cautionary tale. Birth. 2008; 35: 33-40.
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Fonte: Guia do Bebê