7 de fev de 2011

Sobre o uso excessivo da tecnologia no nascimento


Trecho do artigo “Technology in birth: first do no harm” publicado no site Midwifery Today e traduzido por Rosana Oshiro do blog Materna Japão.

Vale a pena ler e refletir até onde a tecnologia é importante e/ou segura durante a gestação e o parto, dois eventos fisiológicos que na grande maioria das vezes transcorrem naturalmente, sem precisar da interferência de nada nem de ninguém!


Uma mulher de Iowa foi recentemente encaminhada a um hospital universitário durante o trabalho de parto por causa de possíveis complicações. Lá, ficou decidido que a cesariana deveria ser feita. Depois que a cirurgia foi concluída e que a mulher estava de repouso pós-operatório em seu quarto no hospital, ela entrou em choque e morreu. Uma autópsia revelou que, durante a cesariana, o cirurgião acidentalmente pegou a artéria aorta, a maior artéria do corpo, levando a uma hemorragia interna, choque e morte.

A cesariana pode salvar a vida da mãe ou do bebê. A cesariana também pode matar a mãe ou o bebê. Como pode ser isso? Porque cada simples procedimento ou tecnologia utilizada durante a gravidez e o nascimento traz riscos tanto para mãe e bebê. A decisão de usar a tecnologia deve ser pautada pelo bom senso, já que pode tornar as coisas melhores ou piores.

Estamos vivendo na era da tecnologia. Desde que o homem conseguiu ir à Lua, nós acreditamos que a tecnologia pode fazer de tudo para resolver todos os nossos problemas. Assim, é natural que os médicos e os hospitais estejam usando mais e mais a tecnologia durante a gestação e o parto. Mas a tecnologia tem resolvido todos os problemas que podem surgir durante o parto? Dificilmente. Vamos dar uma olhada no histórico recente.

O aumento recente do uso da tecnologia durante a gravidez e o parto resultou em menor número de bebês mortos ou com seqüelas?

Nos Estados Unidos, não houve diminuição nos últimos 30 anos no número de bebês com paralisia cerebral. A maior causa de morte em recém-nascidos é um peso muito baixo, mas o número de bebês de baixo peso nascidos também não diminuiu nos últimos 20 anos. O número de bebês que morreram ainda no útero não diminuiu em mais de uma década. Nos últimos 10 anos, houve uma ligeira queda no número de bebês que morreram durante a primeira semana de vida. Porém os dados científicos sugerem que houve um aumento do número de bebês que sobrevivem à primeira semana, mas que têm danos cerebrais permanentes.

O uso crescente da tecnologia salvou mais vidas de gestantes e parturientes?

Nos Estados Unidos, os dados científicos não mostram diminuição nos últimos 10 anos no número de mulheres que morreram no período perinatal (mortalidade materna). Na verdade, dados recentes sugerem um aumento assustador no número de mulheres que morrem durante a gravidez e no parto nos Estados Unidos. Então, pode-se dizer que o aumento do uso da tecnologia no nascimento não só "não salva" mais vidas de mulheres, como também "mata" mais mulheres. Esta possibilidade tem uma explicação científica razoável: a cirurgia cesariana e a anestesia epidural, ambas tem sido utilizadas cada vez mais neste país e sabemos que elas também podem resultar em morte.

Nós não deveríamos ficar surpresos com esse histórico recente (e ruim) do nascimento com uso de alta tecnologia.

Por muitas décadas, no meio do século 20, o número de crianças que morriam em torno do período de nascimento foi diminuindo. Isso ocorreu não devido aos progressos da medicina, mas principalmente pelos avanços sociais: a diminuição da pobreza extrema, uma melhor alimentação e melhor habitação. E o mais importante, a diminuição da mortalidade foi devido ao planejamento familiar, resultando em menos mulheres com muitas gestações e partos.

O atendimento médico também foi responsável por alguns dos índices de diminuição da mortalidade dos bebês, não por causa de intervenções de alta tecnologia, mas por causa de avanços médicos básicos, tais como a descoberta dos antibióticos e a capacidade de dar transfusões de sangue seguras.

Nunca houve qualquer evidência científica de que as intervenções de alta tecnologia, tais como o uso rotineiro de monitoramento eletrônico fetal durante o trabalho de parto, pudessem diminuir a taxa de mortalidade de bebês. (*ou que o uso excessivo de ultra-sons durante a gestação pudesse trazer ao mundo um bebê mais saudável)

O que isto significa é que "colocar-se nas mãos de um médico e de um hospital de alta tecnologia" não garante um nascimento mais seguro. Cada pessoa deve assumir a responsabilidade por seu parto, incluindo a decisão de usar ou não a tecnologia em si mesma e em seu bebê.

Lembre-se, a tecnologia não é "boa ou ruim", mas pode ser utilizada de forma boa ou ruim.

Os aviões podem ser usados para levar você para visitar sua família num lugar distante, ou pode ser usado para lançar bombas sobre mulheres e crianças. A tecnologia usada durante a gravidez e o parto pode ajudar você e seu bebê, caso um de vocês precisem, mas também pode vir a prejudicar você ou seu bebê.

*trecho acrescentado por Rosana Oshiro, em relação à quantidade abusiva de ultra-sons realizados no Japão (o mesmo ocorre também no Brasil).

2 comentários:

Lia disse...

Oi, Taiza! que legal que você achou meu blog.
Tecnologia mal utilizada é mesmo uma droga... ontem ouvi de uma amiga um diagnóstico falso de translucência nucal. Meses de estresse pra uma bebê que nasceu perfeita.

Adelita Gonzalez M. Denipote disse...

Nossa taiza muito bom este artigo...é importante ficarmos todos atentos..principalmente as mulheres...em relação a estas tecnologias....pricipalmente quando mal utilizadas ou usadas em excesso. Onde trabalho testemunho varios falsos positivos de diagnósticos por ecografia, de um determinado profissional que faz este exame em TODAS as gestantes....ela acha "pelo em casca de ovo"...deus nos livre desta "tecnologia" e destes "profissionais". Bjkas