22 de mar de 2011

Abaixo-assinado em apoio à continuidade do curso de Obstetrícia da USP


Gente, eu queria escrever um post em apoio à manutenção do curso de Obstetrícia da USP, mas ninguém melhor do que a Dra. Carla Polido, uma médica obstetra, para falar da relevância desse curso na melhora da realidade obstétrica do nosso país. O trecho abaixo foi retirado do blog dela: Parir é Natural.



 
A evidência científica sugere que toda parturiente de baixo risco deveria ser atendida no parto por uma parteira, ao invés de um médico.

Apesar de isso soar estranho aos ouvidos dos brasileiros, a prática obstétrica nos países de referência quanto à mortalidade materna e perinatal segue à risca as recomendações da OMS, embasadas nas metanálises da Cochrane. A conclusão dos revisores sobre o assunto é clara e contundente:

"O cuidado obstétrico por parteiras garante benefícios e não mostra nenhum efeito adverso. Deve ser a regra de assistência no baixo risco. (...) Gestores de serviços que desejam atingir melhoras significativas em saúde materna, principalmente quanto à humanização do nascimento e aumento de partos normais, deveriam considerar a implantação de modelos de assistência baseados em parteiras".
 
Aqui o link para o resumo da metanálise da Cochrane.
 
No Brasil, a formação de "parteira" ou "midwife" profissional pode ser adquirida através do curso de graduação em enfermagem, e posterior especialização em enfermagem obstétrica, ou através da formação única e humanista de toda a graduação em Obstetrícia. O curso de Obstetrícia é oferecido pela USP no campus leste.
 
Lamentavelmente, há um questionamento sobre a continuidade do curso. Vejam abaixo a carta da professora Simone Diniz, da Faculdade de Saúde Pública da USP.
 
Eu considero a continuidade do curso fundamental para a melhora da qualidade do atendimento obstétrico no Brasil.
 
Se você concorda comigo, rubrique o abaixo-assinado!
 
Carla Polido

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"Estimados colegas,
 
Como vocês devem estar acompanhando, a Reitoria da USP ameaça não oferecer o curso de Obstetrícia no vestibular de 2012. Isto porque o Conselho Federal de Enfermagem se recusa a aceitar o registro das obstetrizes (apesar delas terem seu direito de registro garantido na justiça). Como tenho muitas amigas enfermeiras e tenho grande respeito por esta profissão, quero dizer que muitas discordam desta atitude do seu conselho e acham que as enfermeiras e obstetrizes devem estar unidas na luta por uma assistência ao parto que respeite os direitos da mulher.
 
Como ativistas e pesquisadores no campo de saúde e direitos da mulher, sabemos que o que o Brasil precisa hoje é de profissionais capazes de facilitar o parto fisiológico, promover um parto seguro e respeitoso, e reduzir as inaceitáveis taxas de episiotomias, induções, kristeller e outras intervenções obsoletas, agressivas, dolorosas e arriscadas no parto. Este cenário de parto agressivo somado à violência institucional e ao desrespeito ao direito a acompanhantes, faz com que muitas mulheres, para escapar da violência, prefiram uma cesárea desnecessária, com todos os riscos implicados para mãe e bebê. Ou seja, temos um conflito de interesses: manter as coisas como estão – um “parto pessimizado”, favorece aqueles profissionais que se beneficiam com este modelo violento, pois assim podem impor às mulheres o “modelo da cesárea de rotina” como alternativa “melhor”.
 
*A parteira de nível universitário é a profissional que atende os partos das mulheres saudáveis nos países desenvolvidos, e que está associada aos melhores resultados maternos e neonatais*. O Brasil precisa desta profissional com urgência, em um sistema de atenção integral e hierarquizado, principalmente agora que estamos nos perguntando os porquês do aumento das taxas de mortalidade e morbidade materna, e os porquês de tanta violência no parto.
 
Se você se importa com este quadro, rogo que assine o abaixo-assinado pedindo a manutenção do curso.
 
Convidamos também para a manifestação na porta da Reitoria da USP, no dia 22/03 às 9:00h

Peço ainda que se este assunto toca você, convide os amigos e colegas, e divulguem nas suas listas e redes sociais esta luta.
 
Um abraço e preparem seus cartazes, dia 22 iremos às ruas, será nosso dia de fúria.
 
Simone Diniz - Faculdade de Saúde Pública da USP”

PS: veja sobre a manifestação de hoje no blog Parto no Brasil. E ainda dá tempo de participar do abaixo-assinado!

3 comentários:

disse...

Assinado!

disse...

Taiza, divulguei la' no meu blog também. Coloquei o link aqui para o seu.

Vc sabe até quando da' para assinar o abaixo-assinado? Nao consegui achar essa informação.

Beijos!

Taiza disse...

Ih... tb não sei te dizer, mas por enquanto ainda está disponível lá no endereço.

Bjos e obrigada pela divulgação!