18 de jun de 2012

Fotos da Marcha do Parto em Casa de Brasília

A Marcha do Parto em Casa ocorreu nos dias 16 e 17 de junho em mais de 20 cidades brasileiras e mobilizou mulheres, homens, mães, pais, gestantes, médicos, parteiras, doulas e ativistas dos direitos reprodutivos e sexuais da mulher.

Eu, na condição de mulher, mãe, fisioterapeuta, doula e feminista, participei da Marcha de Brasília. E fiz um lindo registro fotográfico desse momento único, em que estamos escrevendo um capítulo da história desse país. Nós, mulheres, unidas e com o auxílio das redes sociais estamos dando visibilidade para as nossas reais necessidades e reivindicações.

Agora, fotos de muitas mulheres lindas, seus filhos e tudo o que elas têm a dizer:




















Pela liberdade de expressão, opinião e consciência dos médicos!
Pelo direito da mulher em decidir sobre seu corpo, sua gestação e seu parto!
Pelo Parto Domiciliar!
Pelo Parto Humanizado para todas!
Pelo fim da violência obstétrica!
Pelo fim das cesáreas desnecessárias!
Pela Medicina Baseada em Evidências!

E viva o empoderamento feminino!!!


13 de jun de 2012

Marcha do Parto em Casa


A matéria divulgada pelo Fantástico no domingo, dia 11/06, sobre Parto Domiciliar gerou polêmica e uma denúncia do Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro (CREMERJ) contra o Dr. Jorge Kuhn, renomado obstetra e professor da UNIFESP. Kuhn concedeu uma entrevista ao programa, falando que o Parto Domiciliar é uma opção para gestações de baixo risco.

A Dra. Melania Amorim publicou uma Carta Aberta à Sociedade em repúdio ao CREMERJ. 

Em defesa ao Parto Domiciliar e ao direito de escolha do local de parto, está sendo organizada em várias capitais brasileiras a Marcha do Parto em Casa, que sairá às ruas no domingo dia 17 de junho.




CARTA ABERTA À SOCIEDADE

por Melania Amorim

Nós, médicos humanistas, enfermeiras-obstetras e obstetrizes, todos os profissionais, entidades civis, movimentos sociais e usuárias envolvidos com a Humanização da Assistência ao Parto e Nascimento no Brasil, vimos através desta presente Carta manifestar o nosso repúdio à arbitrária decisão do Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro (CREMERJ) de encaminhar denúncia contra o médico e professor da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) Jorge Kuhn, por ter se pronunciado favoravelmente em relação ao parto domiciliar em recente reportagem divulgada pelo Programa Fantástico, da TV Globo.

Acreditamos estar vivenciando um momento em que nós todos, que atendemos partos dentro de um paradigma centrado na pessoa e com embasamento científico, estamos provocando a reação violenta dos setores mais conservadores da Medicina. Pior: uma parcela da corporação médica está mostrando sua face mais autoritária e violenta, ao atacar um dos direitos mais fundamentais do cidadão: o direito de livre expressão. Nem nos momentos mais sombrios da ditadura militar tivemos exemplos tão claros do cerceamento à liberdade como nesse episódio. Médicos (como no recente caso no Espírito Santo) podem ir aos jornais bradar abertamente sua escolha pela cesariana, cirurgia da qual nos envergonhamos de ser os campeões mundiais e que comprovadamente produz malefícios para o binômio mãebebê em curto, médio e longo prazo. No entanto, não há nenhuma palavra de censura contra médicos que ESCOLHEM colocar suas pacientes em risco deliberado através de uma grande cirurgia desprovida de justificativas clínicas. Bastou, porém, que um médico de reconhecida qualidade profissional se manifestasse sobre um procedimento que a Medicina Baseada em Evidências COMPROVA ser seguro para que o lado mais sombrio da corporação médica se evidenciasse.

Não é possível admitir o arbítrio e calar-se diante de tamanha ofensa ao direito individual. Não é admissível que uma corporação persiga profissionais por se manifestarem abertamente sobre um procedimento que é realizado no mundo inteiro e com resultados excelentes. A sociedade civil precisa reagir contra os interesses obscuros que motivam tais iniciativas. Calar a boca das mulheres, impedindo que elas escolham o lugar onde terão seus filhos é uma atitude inaceitável e fere os princípios básicos de autonomia.

Neste momento em que o Brasil ultrapassa inaceitáveis 50% de cesarianas, sendo mais de 80% no setor privado, em que a violência institucional leva à agressão de mais de 25% das mulheres durante o parto, em vez de se posicionar veementemente contrários a essas taxas absurdas, conselhos e sociedades continuam fingindo que as ignoram, ou pior, as acobertam e defendem esse modelo violento e autoritário que resulta no chamado "Paradoxo Perinatal Brasileiro". O uso abusivo da tecnologia contrasta com taxas gritantemente elevadas de mortalidade materna e perinatal, isso em um País onde 98% dos partos são hospitalares!

Escolher o local de parto é um DIREITO humano reprodutivo e sexual, defendido pelas grandes democracias do planeta. Agredir os médicos que se posicionam a favor da liberdade de escolha é violar os mais sagrados preceitos do estado de direito e da democracia. Ao invés de atacar e agredir, os conselhos de medicina deveriam estar ao lado dos profissionais que defendem essa liberdade, vez que é função da boa Medicina o estímulo a uma "saúde social", onde a democracia e a liberdade sejam os únicos padrões aceitáveis de bem estar.

Não podemos nos omitir e nos tornar cúmplices dessa situação. É hora de rever conceitos, de reagir contra o cerceamento e a perseguição que vêm sofrendo os profissionais humanistas. Se o CREMERJ insiste em manter essa postura autoritária e persecutória, esperamos que pelo menos o Conselho Regional de Medicina de São Paulo (CREMESP) possa responder com dignidade, resgatando sua função maior, que é o compromisso com a saúde da população.

Não admitimos, não permitiremos que o nosso colega Jorge Kuhn seja constrangido, ameaçado ou punido. Ao mesmo tempo em que redigimos esta Carta aberta, aproveitamos para encaminhar ao CREMERJ, ao CREMESP e ao Conselho Federal de Medicina (CFM) nossa Petição Pública em prol de um debate cientificamente fundamentado sobre o local do parto. Esse manifesto, assinado por milhares de pessoas, dentre os quais médicos e professores de renome nacional e internacional, deve ser levado ao conhecimento dos senhores Conselheiros e da sociedade. Todos têm o direito de conhecer quais evidências apoiariam as escolhas do parto domiciliar ou as afirmações de que esse é arriscado – se é que as há.



MARCHA DO PARTO EM CASA  -  Brasília

Domingo, 17 de junho.

Concentração às 09:30 horas no Parque da Cidade, próximo ao quiosque do atleta.

"Não precisamos do seu Conselho para parir"


6 de mai de 2012

11 melhores razões para parir em casa


Queridos leitores, antes de mais nada, desejo a todos um bom 2012!

Andei sumida por uns meses, estava estudando, me dedicando aos partos, tocando outro projeto paralelo (Projeto Musicanto) e dando mais atenção à minha filha, que está numa fase de adaptação. Mas minha intenção é retomar as postagens do blog, claro!

Para inaugurar o ano com um dos meus assuntos preferidos – Parto Domiciliar – recebi essa listinha das “10 melhores razões para parir em casa”, que se tornou 11, pois acrescentaram posteriormente a de número 6, justamente a que eu considero a mais importante de todas! O texto original está em inglês, eu traduzi e resumi, portanto, perdoem os errinhos.

Mariana Maffei pariu Joana em casa. Imagem daqui. 

Ciência e tecnologia estão presentes em nossa vida e nos ajudam em muitos aspectos, porém, cada vez mais mulheres, de todos os tipos, histórias e estilos de vida, estão escolhendo parir à moda antiga – em suas casas. Por quê?

O fato é que a ciência médica não é capaz de fazer melhor que o corpo humano. O corpo da mulher sabe como parir e não precisa de nenhuma interferência externa para fazer o bebê sair. Claro que às vezes, em raras circunstâncias, uma intervenção médica se faz necessária para ajudar a mãe e o bebê durante o parto. Esse texto não tem a intenção de convencer as mulheres a parir em casa, mas de mostrar a todas aquelas com uma gestação saudável e de baixo risco que desejam um parto natural, que parir em casa é uma opção segura.

O Parto Domiciliar está em ascensão nos EUA, de acordo com um estudo descrito pelo New York Times. As taxas de cesárea americanas estão atingindo patamares perigosos, pois as mesmas estão ocorrendo em circunstâncias desnecessárias. O tempo de recuperação de uma cesárea é bem maior que de um parto vaginal, o que pode atrapalhar a formação do vínculo mãe-bebê e o estabelecimento da amamentação. A cesárea é uma cirurgia abdominal de grande porte, que só deveria ocorrer em 10 a 15% dos nascimentos, segundo a OMS. Finalmente, as mulheres estão tomando as rédeas dos seus partos e trazendo-os para um ambiente mais natural – suas próprias casas.

Abaixo estão algumas razões para as mulheres optarem por um parto em casa:

1) Você pode escolher o lugar em que deseja parir: em casa você pode escolher onde deseja ficar durante o TP e parto, pode caminhar livremente pelos cômodos, entrar no chuveiro ou numa piscina, descansar em sua própria cama, sentar no sofá, fazer o que desejar, até mesmo, ir passear lá fora pra tomar um ar fresco. Enquanto que no hospital seu espaço será limitado, você provavelmente ficará num quarto durante todo o TP, às vezes, sem poder sair ou caminhar lá fora. Dependendo do hospital, ainda terá que ir para o centro obstétrico para dar a luz e, talvez, ainda ficar sozinha numa sala de recuperação.

2) Você convida quem vai estar no parto: a maioria das mulheres não precisa de muita gente para assistir seu parto, geralmente contratam uma parteira e uma doula. Parir é um ato íntimo, que não necessita de espectadores. Por outro lado, algumas mulheres desejam ter a família toda e também alguns amigos para dar apoio. Mães que já tem filhos mais velhos podem querer a presença deles durante o TP, o que não seria possível num hospital.  Em casa, você tem a liberdade de escolher quem vai estar (ou não) no seu parto.

3) Nenhum aparelho conectado à você: na maioria das vezes, quando uma parturiente chega ao hospital é colocado soro intravenoso no seu braço, para hidratá-la e para o caso de precisar de algum medicamento. Em seguida, irão colocá-la em um monitor para acompanhar os batimentos e os movimentos do bebê. Isso tudo restringe os movimentos da mãe, atrapalhando o bom andamento do TP e aumentando a sensação dolorosa das contrações. Em casa você estará livre de soro e monitor, livre para se movimentar a vontade!

4) Sua casa é onde está o seu coração! Existe lugar melhor que o lar construído por você e seu parceiro para dar as boas-vindas à nova vida que chega? Se na sua casa tem tudo que você precisa (e gosta), então por que não parir nela?

5) Ninguém para te acordar depois que seu bebê nascer: quando você está no hospital, as enfermeiras entram constantemente para verificar seus sinais vitais e do bebê. Se você ou o bebê estiverem dormindo, eles irão te acordar ou acordá-lo para fazer isso. Se estiver em casa, você mesma irá checar a temperatura do seu bebê quando ele acordar para mamar. Aí, poderá dormir sempre que seu bebê dormir também, respeitando o seu sono e o do seu bebê.

6) Nenhuma intervenção indesejada com seu bebê: em casa você pode escolher o que vai ser feito com seu bebê após o nascimento. Por exemplo: corte tardio do cordão umbilical, nada de injeção ou colírio, nada de banho, nada de pesar e medir imediatamente, contato pele-a-pele ininterrupto nas primeiras horas de vida. Tudo isso é mais fácil em casa do que no hospital, onde você terá que brigar com as enfermeiras e quebrar os protocolos para que seu filho tenha o tratamento que você deseja.

7) Você controla o ambiente: muitos hospitais não permitem que as gestante caminhem, uma vez que as deixam deitadas na cama, amarradas a monitores para que os profissionais possam ver e fazer o que eles quiserem, independente do conforto das mães. Em casa, você tem controle sobre o ambiente, basta dizer o que deseja, seja uma música ou luzes apagadas, que será providenciado! Quer ir lá pra fora passear no quintal ou caminhar pela rua? É possível!

8) Assistência um-para-um: há um mito que a assistência num hospital é melhor ou mais profissional. No hospital, a equipe está lá para atender várias parturientes e vários partos ao mesmo tempo. Na grande maioria das vezes, a gestante sequer conhece a equipe antecipadamente, o que torna o atendimento impessoal, frio e, até mesmo, demorado. Ninguém irá sentar ao seu lado para te dar apoio, te confortar ou simplesmente perguntar como se sente. Por isso, freqüentemente, o progresso do parto será mensurado por cálculos e tabelas do que deveria estar acontecendo, mas nem sempre acontece, pois cada mulher é única e deveria ser tratada como tal. Em casa com uma parteira a assistência é um-para-um, ou seja, a parteira está lá para cuidar exclusivamente de você, sem idas e vindas para atender outras pessoas. Ela vai permanecer durante todo o TP e parto ao seu lado, e só vai embora depois que o bebê estiver mamando. Além do mais, a parteira te acompanha desde o pré-natal, com longos encontros e conversas, criando um vínculo e um entrosamento anterior ao dia do parto em si.

9) Parto Domiciliar é seguro: parir em casa é seguro para gestantes saudáveis e de baixo risco. Pare para pensar: hospitais estão cheios de pessoas doentes, espalhando germes e vírus por toda parte, além de ser foco de bactérias resistentes a antibióticos. E mais, a atitude médica de estar sempre pensando numa possível complicação durante o parto, apoiadas pelos protocolos hospitalares impostos, impede que as mulheres tenham um parto fácil e seguro num hospital. As intervenções médicas que acontecem dentro de um hospital interferem no processo natural do parto e são justamente essas intervenções (ocitocina, analgesia, etc.) que representam riscos desnecessários à parturiente e ao bebê.

10) A comida: a comida da sua casa é muito melhor que a comida do hospital! O TP e o parto são exaustivos e consomem muitas calorias. Você precisa comer e beber durante esse período e nada melhor que comer aquilo que gosta, podendo inclusive deixar tudo previamente preparado para o dia do parto. Sem contar que, provavelmente, depois do parto você estará morrendo de fome de novo e em casa poderá comer a vontade, enquanto que no hospital terá que esperar a refeição ser servida, sem direito a repetir!

11) Parir em casa é mais barato! No Brasil*, os custos de um parto vaginal hospitalar com o médico obstetra da sua escolha são maiores que de um parto domiciliar com parteira (enfermeira obstetra). E nós sabemos muito bem que, hoje em dia, é praticamente impossível encontrar um médico que acompanhe parto vaginal pelo convênio.

*Aqui, eu adaptei à realidade brasileira, partindo do pressuposto que a gestante pagaria os honorários médicos.

Fonte: “Top 10 Reasons to birth at home”