13 de nov de 2013

O nascimento da Sofia, entre lágrimas e sorrisos...


E aí que o último post inspirou mais uma mulher linda a escrever seu relato!!! A Renata planejou um parto normal humanizado, acabou numa cesárea. Claro, que o nascimento da Sofia foi lindo mesmo assim e todos ficaram felizes! Mas a Renata precisou digerir e aprender as lições do seu não-parto. E o que ela aprendeu com isso serve de alerta para outras gestantes.

O nascimento da Sofia, entre lágrimas e sorrisos...


Por Renata Riquette Manes

Minha gravidez foi bem planejada. Eu e meu marido, apesar de vivermos há quase 9 anos juntos, decidimos nos casar “de verdade”. Engravidei três meses depois do casamento e ficamos muito felizes. Fiz o beta no dia 24-12-2012, e tivemos nosso super presente de natal: o positivo! A partir daí, comecei a pesquisar tudo sobre gravidez, o que inclui o parto. Antes de engravidar, eu pensava em fazer uma cesárea, porque as pessoas que eu conheço fizeram cesariana (inclusive minha mãe, que teve 5 filhos, todos por meio da cesárea). Além disso, eu tenho uma cicatriz de uma cirurgia renal e era bem conveniente pra mim aproveitá-la. Até que entrei no mundo do parto. Aderi a grupos do Facebook, como “Cesárea? Não, obrigada!”, “Gravidez, Parto e Maternidade” e “Parto Natural”, e obtive informações valiosíssimas, que mudaram a minha forma de pensar. Assim, descobri que eu queria um parto mais que normal: eu queria um parto natural! Por todos os benefícios que o parto vaginal traz, por ser um ritual de passagem para a mãe e para o bebê e por achar que é algo muito natural. Queria sentir as dores e as emoções da chegada da minha filha. Queria viver intensamente esse momento, que é único na vida!

Aí começou minha batalha. Descobri que o Brasil é um país de cesáreas. E que, para ter um parto normal aqui, eu teria de lutar muito por ele. E lutei. Lutei contra a opinião de algumas pessoas da minha família: que achavam um absurdo sofrer em pleno Século XXI; que me diziam que as dores do parto são insuportáveis e que não era possível sem anestesia; que me olhavam como se eu fosse estranha por querer um parto natural, em um país onde a cesárea impera. Lutei, também, contra o sistema. Foi super difícil encontrar um médico pró-parto normal. Parei de me consultar com uma obstetra que, certamente, me levaria para uma cesárea, e comecei a me consultar com um obstetra que atendia meu plano de saúde e era famoso por fazer muitos partos normais. Comecei a ler tudo sobre parto natural e vi a necessidade de se ter uma doula. Encontrei a Taiza, que foi, e ainda é, um anjo na minha vida.

Assim, comecei a planejar o meu parto. Percebi que eu desejava muito um parto na água. Desejava tanto que não me via parindo de outra forma. Conversei com o meu obstetra, que aceitou fazer o parto dessa maneira. Fiquei feliz e confiante. Mas um acontecimento me desestruturou. Soube, quando eu estava com aproximadamente 35 semanas de gravidez, que meu obstetra havia feito um parto na água e dito que nunca mais o faria, pois é um parto nojento. Fiquei sem chão. Diante desse fato, minha doula sugeriu um parto domiciliar. Conversei com meu marido e pensei muito. Descobri que eu não tinha a segurança necessária para se ter um parto em casa. Eu me sentia insegura com as observações que meu obstetra sempre fazia nas consultas. Ele vivia pegando no meu pé por causa do peso que eu estava ganhando na gravidez. Chegou a dizer que havia um fator oculto que impedia as mulheres que ganham muito peso na gravidez de terem um parto normal. Além disso, chamava minha atenção por causa da minha pressão arterial, que ele considerava um fator perigoso, sendo que, em repouso, ela marcava 12x8. Chegou a 13x9 em algumas consultas, o que, até onde eu sei, não é considerada alta. Então, eu não me sentia saudável para ter um parto em casa. E desisti dessa opção, apesar de desejá-la bem lá no fundo do meu coração. Então, estava decidido: eu teria um parto natural hospitalar, na suíte de parto humanizada da maternidade, e na banheira, mesmo meu obstetra considerando o parto na água nojento. E esperaria estar bem dilatada, para ir para a maternidade, pois tinha medo de intervenções desnecessárias. Fiz meu plano de parto e discuti todos os fatores com meu obstetra. Estava tudo ok. Eu estava bem segura e decidida com relação às minhas escolhas. Me sentia muito empoderada para parir minha filha. E fiquei as últimas semanas da gravidez só esperando o momento que ela escolheria pra nascer.

E os sinais de que algo aconteceria começaram. Uma semana antes do trabalho de parto, comecei a sentir algumas contrações doloridas. Entrei no chuveiro, pois sabia que a água quente ajudaria a engrenar o trabalho de parto, se fosse o dia mesmo; ou faria tudo parar, se não fosse o dia. No chuveiro, comecei a conversar com minha filha, falando para ela não ter medo, porque passaríamos por um processo para ela chegar até os meus braços. E percebi que eu não estava com medo também. Dormi com algumas contrações ainda, e acordei sem nada. Dois dias depois, perdi um pouco do meu tampão. Fiquei em estado de êxtase, porque minha irmã, que teve a bebê dela 3 meses antes de mim, perdeu o tampão e entrou em trabalho de parto logo em seguida. Em 24 horas, a filhinha dela nasceu. Eu pensava que poderia acontecer o mesmo comigo. E começaram algumas dores de novo, mas bem fraquinhas. Dois dias depois, perdi mais um pouco do tampão, agora com raias de sangue. Mais um alarme falso. Nada de trabalho de parto.

Até que, depois de uma semana em pródromos, na manhã do dia 5/9, no mesmo horário em que a lua mudava para lua nova, saiu mais um pedaço do tampão. Passei o dia tendo contrações doloridas, mas bem de leve. Enquanto eu dirigia o carro, para levar meu marido para um compromisso, eu senti uma contração bem mais forte. Comecei a acreditar que seria o dia! E fiquei entusiasmada. Às 18:30, comecei a ter contrações mais fortes, mas espaçadas. Com intervalos de 25 minutos, mais ou menos. Tentei dormir, para descansar, mas não consegui. As contrações estavam começando a vir com mais frequência. Comecei a marcar as contrações em um aplicativo no meu celular. Tive uma contração muito forte que durou 7 minutos. Meu marido ligou para a minha doula, para saber se era normal uma contração tão dolorida e longa, e ela disse que não. Mas não veio mais nenhuma desse tipo: longa. Acho que foi porque eu me contraí muito durante a contração. E contrair é a pior coisa que se pode fazer. Então, comecei a tentar relaxar nas contrações, o que é totalmente antinatural. O natural é se contrair em uma situação de dor; e não relaxar. Mas estava conseguindo relaxar, por enquanto. As contrações começaram a ser frequentes. E as dores cada vez mais fortes. Eu dava notícia para minhas irmãs e cunhada por meio do Facebook, mas, durante uma contração, não conseguia nem pegar no celular. Minha média estava de 7 em 7 minutos, durante 1 hora. Algumas contrações vinham muito fortes; outras mais leves. Entrei no chuveiro e as contrações começaram a vir em um intervalo menor: de 4 em 4 minutos. Saí do chuveiro. Estava raciocinando ainda, tanto que me ofereci para guardar as vasilhas que o meu marido lavou (rsrsrsr) e conseguia escrever notícias no Facebook, para a família, nos intervalos das contrações. Voltei para o chuveiro, porque a dor era forte, e as contrações começaram a vir de 3 em 3 minutos.

  
Minha doula chegou às 3h20 da madrugada. Eu estava no chuveiro. Ela tocou minha barriga e viu que minha bebê estava à direita ainda (quando os bebês estão à direita, geralmente, têm de percorrer um caminho maior para encaixar da forma correta e descer). Ela desligou a luz do banheiro e colocou umas velas. As dores eram bem fortes, e o chuveiro amenizava. Em contrapartida, no chuveiro, as contrações vinham em uma frequência menor. Saí do chuveiro e fui para a cama. Minha doula sugeriu a posição de quatro apoios, para ver se a minha filha girava. Estava à luz de velas e meu marido colocou músicas relaxantes para escutarmos. Minha doula e meu marido revezavam a massagem na minha lombar, para reduzir a dor. E funcionava! A dor, fora do chuveiro, era bem mais intensa. Mas as contrações davam uma espaçada maior. E eu conseguia descansar um pouco, até a próxima contração. Depois de um tempo assim, a minha bebê começou a virar. Lá pelas 4 da manhã, ela já estava no meio do caminho entre a direita e a esquerda. Isso era um bom sinal. Um sinal de evolução. Eu voltei para o chuveiro, porque as contrações fora dele estavam muito, muito fortes mesmo! Preferia que elas viessem mais fracas e com uma frequência maior. Escutei os pássaros que eu costumo escutar um pouco antes de o dia clarear. E vi o dia clarear da janela do meu banheiro.


Às 6h30 da manhã, minha doula sugeriu que fôssemos para a maternidade. Ela achava que eu estava com 8 cm de dilatação, ou seja, estava na hora de irmos mesmo, como planejamos. No caminho para a maternidade, que fica a dois quarteirões daqui de casa, tive uma contração. Foi duro ter uma contração com o carro balançando. Ainda bem que foi só uma. Cheguei na maternidade e meu marido foi tratar dos assuntos burocráticos, como o plano de saúde e nossa instalação na sala de parto humanizada. Enquanto eu esperava, apoiei meus braços no balcão da recepção, abaixei o tronco, e fiquei lidando com as minhas contrações, sendo observada pelos que ali passavam. Colocaram-me na sala de pré-parto, para que eu aguardasse os trâmites burocráticos e a chegada do meu obstetra, que já tinha sido chamado por outra gestante, que teve a bolsa rompida. Enquanto eu o esperava, senti uma vontade enorme de fazer força. Minha doula me incentivou, dizendo para eu seguir o que meu corpo mostrava. Quando senti a vontade de novo, fiquei de cócoras e fiz muita força, e minha bolsa estourou, às 7h25! Fiquei tão feliz!!!! Estava chegando a hora de ter minha filha nos braços! Depois de uma hora, meu obstetra chegou. Ele fez o exame de toque e constatou que eu estava com 8 cm de dilatação! Perfeito! Teoricamente, eu estava quase lá, no meu sonho de um parto natural. Além disso, ele viu que a minha bebê estava dorso à direita (ela já tinha rodado da direita para o centro, em casa; e voltou para a direita, no hospital) e me perguntou como eu estou aguentando as contrações sem anestesia, já que a posição dorso à direita é MUITO dolorida! Na hora, eu entrei em desespero e pensei: “realmente, está doendo muito mesmo, uma dor que parece que vou ser partida ao meio; sabia que não era normal doer tanto; como estou aguentando sem anestesia?”. Isso me desestruturou MUITO! Comecei a implorar pela anestesia. Eu estava conseguindo lidar bem com a dor, apesar de ter pensado em anestesia algumas vezes. Mas, quando ele disse isso, eu comecei a implorar mesmo! “Cadê o anestesista pra ontem?”. Apesar de eu implorar pela anestesia, me disseram que ela só seria dada na suíte de parto humanizado. Mas a suíte demorou uma eternidade para ser liberada: somente duas horas depois de eu chegar na maternidade! Enquanto eu esperava a liberação, meu médico pediu um exame para saber como estavam as contrações e os batimentos cardíacos do bebê. E o exame era feito deitada, a pior posição que existia para eu ficar em trabalho de parto, pois as dores das contrações ficavam muito mais fortes.




Liberaram a suíte de parto. Coloquei uma camisola de hospital e fui caminhando pra lá. Tive uma contração no meio do caminho e fiquei de cócoras, para lidar melhor com ela. Duas enfermeiras vieram até mim e eu disse para elas esperarem, pois eu estava passando por uma contração. Uma delas falou para a outra, com tom de desespero “chame o médico, ela está passando mal!”. Eu pensei: “nossa, sou uma alienígena. Ter contrações é algo anormal nesta maternidade”. Cheguei na sala de parto ainda com a ideia fixa da anestesia. Só me concentrava nisso. Parei de me concentrar nas dores e tentar relaxar. Eu só pensava na anestesia e implorava pela chegada do anestesista, que demorava muito. Até que ele chegou e vi, nele, a esperança para extinguir minha dor; ou, pelo menos, reduzi-la significativamente. Tomei a analgesia e consegui dormir por 10 minutos. Acordei e minha doula sugeriu que voltássemos a fazer posições para a minha bebê girar, porque, em pouco tempo, eu voltaria a sentir as dores muito fortes de novo. E foi dito e feito. Em pouco tempo, as dores estavam insuportáveis de novo. Disse para o meu obstetra que eu entraria na banheira, para amenizar a dor. E ele foi enfático ao dizer que não podia, por causa do acesso da analgesia. Nesse momento, fiquei sem chão. Eu sonhava com um parto na água, e não poderia mais tê-lo!!!!! Fiquei totalmente desestruturada! Eu só me imaginava parindo na água; e não em outra posição. E não fui informada de que, se eu tomasse analgesia, não poderia entrar na banheira. E ele sabia desse meu desejo. Estava, inclusive, no meu plano de parto, com o qual ele concordou previamente. Não poderiam tirar o acesso, para eu entrar na banheira? Na hora, nem pensei em questionar isso. Acho que foi a decepção. Fiquei murcha. E a dor era muito forte. O fato de eu não poder mais ter meu parto na água fez com que eu não conseguisse mais lidar direito com as minhas contrações.



Pedi mais analgesia, que foi tão fraca que não durou 5 minutos. O obstetra vinha, frequentemente, ouvir os batimentos cardíacos da minha filha. E fez o exame de toque. Eu continuava com 8 cm de dilatação, mesmo depois de quatro horas na maternidade. Ele identificou que a minha bebê estava alta. E a doula começou a me passar posições para a bebê descer. Fiz todas, mesmo com contrações fortíssimas e dores de ver estrelas. Outro exame de toque, às 12h, depois de 5 horas com 8 cm, e os mesmos 8 cm estavam lá! Eu queria a cesárea, porque estava exausta e com muita dor. E não havia progressão. Parece que todo o meu esforço em fazer todas as posições sugeridas, e tentar tolerar a dor, era em vão. Mas minha doula me convenceu a aceitar a proposta do meu obstetra: tomar mais um pouco de analgesia e aplicar ocitocina e, depois de uma hora, o obstetra voltaria para avaliar. Se eu tivesse progredido, ok; se não, iria pra cesárea. É importante informar que, teoricamente, não havia indicação pra ocitocina, porque minhas contrações estavam regulares e muito fortes.  Foi um ato de última tentativa do obstetra. Enfim, mais uma vez, a analgesia não resolveu nada. As dores ainda estavam insuportáveis. Em um ato de desespero, comecei a fazer força. A contração vinha e eu ficava de cócoras, apoiada em um pedaço de pano suspenso, e fazia muita força. Cheguei a tentar a banqueta. Saía muito líquido e sangue, mas nada da minha filha. Eu estava exausta e esgotada. Minhas pernas tremiam. Meus músculos não respondiam mais aos estímulos. Minha doula ficava o tempo todo ao meu lado, falando palavras de motivação, mas eu estava desacreditada. Agora, eu implorava pela cesárea. Não me achava mais capaz de parir.




O obstetra voltou, às 14h, e fez outro exame de toque, que foi super dolorido, como todos. Ele disse que eu havia regredido de 8 cm para 6 cm de dilatação, por causa de um edema que se formou no colo do meu útero. E que formou um galo (o nome técnico é bossa) na cabeça da minha bebê, porque ela estava tentando passar pelo canal, e o edema estava impedindo. Fiquei bastante preocupada na hora com a história do galo. Pensei que minha filha estava sofrendo. Além disso, eu nunca tinha ouvido falar em regressão na dilatação. Isso acabou com minhas últimas esperanças de ter um parto normal. E eu estava exausta física e emocionalmente, pois foram 19 horas em trabalho de parto, sendo que me mantive ativa em todas essas horas, porque não conseguia ficar deitada ou sentada. Então, fui para a sala de cirurgia e fiz uma cesariana, e minha filha nasceu às 15h01 do dia 6/9.



Apesar de a minha filha ter chegado ao mundo de uma forma que eu não desejava, por meio da cesárea, foi muito emocionante tê-la em meus braços. Dei muita sorte de haver um pediatra humanizado na sala de cirurgia. Ele deixou a minha bebê ir direto para os meus braços, a colocou no meu colo, e eu pude ficar ali, por uns bons minutos, conversando com a minha filha, sentindo o seu calor e sua pele, olhando nos seus olhos. Foi um momento MUITO mágico, do qual nunca me esquecerei. Além disso, ela não sofreu intervenções desnecessárias, como a aspiração. O pediatra respeitou o meu plano de parto. E isso foi fantástico. Meu marido não deixou nossa filha um minuto sozinha. Ela se sentiu protegida o tempo todo: ou por mim, ou pelo pai dela.




Durante um bom tempo, fiquei remoendo o meu não parto. Foi angustiante saber que eu poderia ter feito diferente, como ter optado por um parto domiciliar. Assim, eu não precisaria ter passado pela mudança de ambiente (casa-maternidade); pela espera quando da resolução da burocracia; pelo encontro com pessoas despreparadas, que te veem como alienígena, já que o normal, ali, é marcar uma cesárea, e não ter um parto normal; pela permanência em um ambiente não acolhedor e estranho, muito diferente da nossa casa. Ou, pelo menos, eu poderia ter escolhido um obstetra verdadeiramente humanizado, que acreditasse em mim, no meu poder de parir, e que fizesse de tudo para me ajudar no meu propósito de ter um parto natural. Isso teria feito toda a diferença, porque, no momento do trabalho de parto, a mulher fica MUITO vulnerável. Pequenas coisas atrapalham a concentração. A dor das contrações é muito grande para a mulher poder se distrair. Ela deve se manter conectada e concentrada durante o trabalho de parto. E todas as situações acima me tiraram a concentração no que realmente importava: o ritual do parto.


Hoje, consegui digerir o meu não parto. Entendi que vários fatores alheios à minha vontade me fizeram lutar, lutar, lutar e fracassar no meu sonho de parir. Como eu sou uma pessoa que vê o lado positivo das situações, resolvi usar a minha experiência para ter um parto incrível na minha próxima gestação. E decidi compartilhar o que aconteceu comigo para fazer um alerta quanto ao que pode ocorrer quando a mulher não tem as condições ambientais e psicológicas ideais para se manter concentrada no trabalho de parto. Assim, espero, de coração, ajudar muitas mulheres a parir com a dignidade a que todas nós temos direito.

Participações especiais: Clara e Sam, filhas caninas, durante o trabalho de parto em casa; Rafaela e Roberta, irmãs da Renata, em casa e na maternidade.

Fotos: Ana Paula Batista. Veja mais fotos clicando aqui!

*Editado: veja o vídeo "O Nascimento da Sofia", por Ana Paula Batista.



17 de set de 2013

O nascimento do Lucas, numa linda manhã de domingo...


Atendendo a muitos pedidos, hoje estou publicando pela primeira vez um Relato de Parto!! E com direito a um vídeo emocionante desse parto!! Eu não tenho tempo para escrever os relatos dos partos que acompanhei, mas finalmente (e felizmente) uma linda mamãe escreveu e me pediu que publicasse para ajudar, encorajar e inspirar outras mulheres!! Achei o máximo e adorei a ideia, caso outras mulheres se animem a escrever, terei enorme prazer em divulgar!!

O nascimento do Lucas, numa linda manhã de domingo...


Por Flávia Rubio

Seria egoísta da minha parte não dividir a minha história com ninguém.  Logo eu, que tive nos relatos a maior fonte de inspiração e empoderamento para parir o Lucas. Então, divido com vocês a nossa história, na esperança de ela ajude ou inspire alguém na busca pela realização do parto humanizado.

O parto normal

Sempre acreditei no parto normal. Desde pequena entendia que era a melhor opção para mãe e filho. Não sabia o porquê, mas sabia. Assim... Sem explicar, como quem tem fé. Eu tinha fé no parto normal. Afinal, nós mulheres nascemos com esta capacidade. Eu acreditava que todas eram capazes, e em especial que eu era capaz.

O tempo passava, e a história do parto normal ficava cada vez mais longe. Eu sabia que havia nascido de parto normal, acho que era o caso mais próximo que eu tinha como referência. Das minhas amigas mães, somente uma teve seu filho de parto normal. Fui atropelada com as inverdades sobre os riscos do parto normal e as glórias da cesária. Para mim não fazia sentido, mas era a informação que eu tinha: parir é perigoso e ter um filho por cesária é utilizar-se da tecnologia, da evolução da medicina. Ainda assim, a fé permanecia, ainda que quieta e apática.

O primeiro contato com o parto domiciliar

Já adulta, ainda namorando o meu marido, trabalhei com um colega que estava grávido, acho que da segunda filha. Ele falava do nascimento da primeira filha com sangue nos olhos, uma indignação que eu não entendia. Ok! Parece que o medico mentiu para eles e os conduziu para uma cesária desnecessária... Chato, eu sei, mas porque a revolta? Eu, ignorante na época, desconhecia a existência da violência obstétrica e o quanto que isso prejudica, judia e traumatiza uma mãe e em consequência toda a família.

Pois este mesmo colega contava dos planos de ter o próximo filho em casa... Que absurdo! - pensei - como assim? E os riscos? E se alguma coisa der errado? Ele é doido? Não entendia... Para mim não fazia sentido colocar a mãe e o bebê “em risco”, longe do hospital... Conversando com o Paulo - meu marido - ele dividia comigo as mesmas opiniões... As deles eram mais enfáticas, é verdade, mas concordamos ao achar que era uma atitude radical e até irresponsável dos pais...

Tempos depois, com um super sorriso no rosto, veio o pai orgulhoso contar do episódio do nascimento de seu filho... Que a dilatação estava demorando, que eles tinham o apoio de uma acupunturista (não me recordo se era a doula), e que após um procedimento dela a dilatação correu solta, tão rápido que o médico chegou depois que a bebe nasceu... Que ela teve laceração... E que foi tudo lindo!! Oi?! Para mim parecia uma história de terror e pânico, mas para minha surpresa, ele estava reluzentemente feliz!

O renascimento

O primeiro sinal de que minha fé havia acordado foi antes de engravidar ou casar. Assisti ao promo do vídeo "O renascimento do parto". É isso! - Eu pensava... - A cada minuto do vídeo meu corpo consumia, aceitava e devorava aquelas informações como 2x2 são 4. TUDO fazia sentido...

Pois bem. Casei. Engravidei. E chegou a minha hora de decidir como meu filho iria nascer. Para mim era óbvio... Ele vai nascer como ele quiser e quando ele quiser. Mas o que eu ainda não sabia era que essa decisão encontraria tantos olhares preocupados e apreensivos, como se eu tivesse tomando uma decisão errada. Me colocando em risco, colocando meu filho em risco. É assustador como as pessoas reagem quando a resposta pra pergunta: “E aí, já marcou pra que dia?!” é “Oi?! Vai ser parto normal, ele vai nascer quando quiser...”.

Decidida pelo parto normal, comecei a saga da busca por um obstetra que aceitasse convenio e que não fosse cesarista. Passado por uns cinco deles, segui a indicação de uma amiga e parei em um. Fiz com ele praticamente todo o pré-natal. Ele era muito atencioso, respondia minhas perguntas, ouvia minhas aflições e afirmava que faria parto normal. Na verdade não tive o que reclamar dele, mas algo dentro de mim me dizia que eu acabaria em uma cesária desnecessária. Foi quando entendi que me faltava informação. Eu não sabia quando uma cesária era indicada... Como eu poderia argumentar com o médico? Principalmente porque o argumento dele seria que o meu filho estaria em risco e eu, obviamente, acataria a recomendação dele. Afinal, ele é médico-sabido-que-estudou-horrores. Então eu comecei a ler de tudo, participar de grupos de discussão e conversar muito com minhas amigas gestantes que faziam ginástica comigo. Eu e Paulo continuávamos participando de encontros e olhando meio de lado para aqueles casais que declaravam que teriam um parto domiciliar.

A preparação

Os encontros com minhas amigas da ginástica me atiçavam. Pegava as dicas e ia fazer o dever de casa (aí vai uma dica pra você, gestante. Além dos benefícios físicos da atividade física, estar em contato com outras gestantes é maravilhoso. Recomendo demais!). A cada nova informação eu entendia o que aquela fé queria me dizer. Era simples: o parto é um evento fisiológico e os procedimentos adotados pela maioria dos médicos tratam-se de intervenções e muitas vezes desnecessárias. Conheci um novo tipo de parto: o parto natural. Meu corpo está preparado. Meu filho está preparado. Somos eu e meu filho os atores deste momento. Ninguém mais. O médico irá nos assistir (nos dois sentidos da palavra) e cuidar para que tudo corra bem e que saiamos nós dois bem deste processo. Pronto! Simples assim, sem intervenções, sem prazo. A nossa hora iria chegar e estaríamos preparados.

Junto com o renascimento da minha fé surgiu um novo pensamento. Quanto mais eu lia, menos vontade eu tinha de parir em um hospital. Cada relato de parto domiciliar acendia uma luz em mim de que era isso que eu queria. Se o melhor lugar para a gestante parir é onde ela se sente mais segura, o meu parto não seria em um hospital. Comecei a jogar umas indiretas para o Paulo: “Se você não fosse contra o PD, seria uma ótima opção...” e “Quanto mais eu leio, mais o PD parece a melhor opção...”

Com 32 semanas, decidimos mudar de médico. Entrei em contato com os médicos listados como humanizados aqui em Brasília e a sorte me levou para a Dra. Caren Cupertino. Primeira consulta e a gritante diferença de como o parto é entendido. Muitas dúvidas esclarecidas em mais de uma hora de consulta. Quando eu questionei sobre as opções de hospitais para o parto humanizado, ela deu a deixa: para você, gestante de baixo risco, existe sempre a opção do parto domiciliar. Nós rimos! Paulo foi enfático: no primeiro filho não, quem sabe no segundo... Eu, mesmo sabendo que o parto "era meu", jamais iria tomar uma decisão que fosse contra a opinião do meu marido. Minha segurança estava nele. Planejamos nosso filho juntos, teríamos o nosso filho juntos também. Mas saímos de lá curiosos, não sabíamos da logística do PD, dos riscos, de nada. Tínhamos apenas um pré-conceito construído sabe-se lá de onde, que nos alertava de que em casa é perigoso. Seguro mesmo é no hospital.

Estava na hora de encontrar nossa doula e uma indicação nos levou à Taiza. Um anjo na terra. Apaixonada pelo que faz. Experiente, bem informada e com muita ternura no falar. Já no primeiro encontro a empatia/sintonia foi imediata! Seria ela quem nos acompanharia no nascimento do Lucas.

Pois bem, tudo estruturado. Faltava decidir o hospital que o Lucas iria nascer. A ideia do parto domiciliar ficava cada vez mais forte em nossos pensamentos. O Paulo já não era tão contrário. Quanto mais informações tínhamos, mas tranquilos e propensos a essa escolha nós ficávamos.

Em um dos encontros com a Taiza, no final do bate papo ela falou: “Se você tem algum assunto pendente para resolver antes do Lucas chegar, agora é a hora”. E eu tinha. Não conseguia acesso para conversar com meus pais sobre minha escolha do parto normal e, principalmente, sobre a possibilidade de um parto domiciliar. Sei que muitos casais optam por omitir a informação do PD para os familiares, mas essa não era uma opção nossa. Nossa família sempre foi muito unida. Só faríamos o PD com o consentimento deles. Chorei nesta noite, me senti culpada pela escolha que eu tinha feito. Não via uma forma de tocar neste assunto com meus pais.

Foi então que eu pensei em contar com a ajuda da Dra. Caren. Com 36 semanas, levei minha mãe comigo para conhecê-la. Saí da consulta esperançosa! Tocamos em muitos assuntos, muitos mitos, e eu percebi que minha mãe ficou um pouco mais tranquila, principalmente porque percebeu que eu estava muito bem assistida. Tentei puxar assunto durante o resto do dia com minha mãe, mas senti resistência e acabei desistindo. Na madrugada, acordei às 3h30 com uma crise de choro... Não queria que minha mãe estivesse longe neste momento... Não queria que esta fosse a primeira coisa que eu faria sem o apoio dos meus pais. Sentia um peso muito grande e a sensação de que eu estava fazendo a coisa errada... Em surdina... E era uma sensação horrível.

Na manhã seguinte, minha mãe foi em casa (íamos resolver umas coisas na rua) e eu, que ainda não havia melhorado da crise de choro, me abri com ela. O fato é que, surpreendentemente, quando ela percebeu o quanto aquilo estava me afetando, ela abaixou a guarda e disse que faria qualquer coisa para me ver tranquila. Que o importante é que eu passasse por este momento com tranquilidade. Por mim e pelo Lucas. Que eu não deveria me preocupar com isso e estaria resolvido o que eu resolvesse. Neste momento eu aproveitei para falar da vontade de ter o Lucas na casa dela, com eles presentes. Ela relutou um pouco, mas seguiu com o mesmo discurso. Ela iria se informar e se preparar.

Inicialmente meus pais concordaram, mas queriam uma ambulância na porta de casa. Eles foram totalmente incluídos no processo e tiveram encontros com toda a equipe. Primeiro a Taiza, depois a Dra. Caren e por último a Melissa (nossa Enfermeira Obstetra). Toda a equipe foi sabatinada e, como resultado da informação obtida, meus pais estavam mais tranquilos com a escolha e entenderam que não era necessária a ambulância. Que parto domiciliar está longe de ser um parto desassistido.

E, de repente, a vida nos levou para um outro lado. Não era o que havíamos pensado no início, mas não existia mais nenhum motivo para que fosse diferente... O parto domiciliar nos escolheu. Lucas nasceria em casa e a Ana Paula Batista iria registrar este momento!

O parto

Com 38 semanas me deu vontade de me isolar. Queria ficar quieta, em casa. Me conectar com o Lucas, preparar o seu novo lar. Nosso apartamento é pequeno, de dois quartos. Tivemos problemas com duas equipes de marceneiros que iriam fazer os novos móveis. A casa estava uma bagunça. Até que os armários chegassem, sentia que a casa não estava pronta para recebê-lo.

Na quinta-feira, chegaram os móveis. Só para ajudar, eles vieram com defeito e seriam retirados para alguns ajustes. Como eu já não aguentava mais aquela desordem, aproveitei o armário errado mesmo e organizei a casa. Acho que é aquela vontade de arrumar tudo que bate antes do início do trabalho de parto. Depois que terminei de arrumar a casa e o quarto do Lucas, mandei mensagem para minha família (whatsapp): “Gerando efeito psicológico de que está tudo pronto. Efeito placebo pro Lucas nascer!”. Eu não sabia o quanto isso era verdade. Naquela madrugada sonhei que meu tampão havia saído, o que foi constatado assim que acordei. Apareceu o primeiro sinal de que o Lucas estaria chegando.

No sábado começaram as cólicas, espaçadas e não ritmadas desde a madrugada, e assim foram durante todo o dia. Já umas 18 horas fizemos nossa malinha e fomos para a casa dos meus pais, onde ele nasceria.

Chegando lá, a casa estava movimentada. Todos na cozinha preparando o jantar e algumas bebidas. O clima estava ótimo e bem descontraído. As cólicas continuavam e estavam cada vez mais fortes, mas ainda bem espaçadas. Após o jantar, ficamos na sala conversando por algum tempo e cada um foi para seu quarto dormir. Eu estava pilhada, não conseguia dormir. Sabia que eu deveria, que vinha um longo trabalho a frente, mas não conseguia! Fiquei trocando mensagem com uma amiga e a Taiza até as 22h30. Conseguia dormir um pouco, mas era acordada com uma contração e acho que o susto fazia dela mais dolorida. Já havia ido ao banheiro várias vezes no período e às 23h20 meu tampão saiu. Agora foi pra valer… o que eu achava que era o tampão na sexta era só o comecinho dele. Não tive dúvidas! Estávamos evoluindo e logo logo o Lucas estaria do lado de fora. Às 23h40 voltei a dormir, mas acordei próximo a 1h da madrugada com dores bem mais fortes. Não conseguia mais ficar deitada. Acordei o Paulo. Estava em trabalho de parto ativo.

Procurei me concentrar bastante durante as contrações. Balançava o quadril pra lá e pra cá, me apoiava na bancada, no sofá, andava pela casa, uma volta no jardim. Banho. Balançava o quadril pra lá e pra cá… Marcamos as contrações até estarem de 3 em 3 minutos, quando as dores começaram a ficar bem mais intensas. Às 2h da manhã ligamos para a Taiza, que chegou em casa por volta das 3h.

Durante as contrações eu não conseguia lidar com nenhum tipo de ajuda. A Taiza tentou massagem, compressa, carinho… mas meu corpo não aceitava. A sensação que eu tinha era que todo o meu corpo estava trabalhando para a contração, e que qualquer estimulo externo desconcentraria este processo. Me sentia enjoada há algum tempo e a compressa quente me ajudou a vomitar! Fiquei mais aliviada… muito ruim fazer as coisas enjoada!

Tomei mais um banho, acho que foi quando minha bolsa estourou. Lembro de estar pingando ao sair de lá, mas não fiz a associação. Na verdade, só lembrei da bolsa quando o Lucas estava nascendo! E este foi o último banho que tomei, lembro que as dores ficaram muito mais fortes. Não encontrava posição que fosse confortável. Pedi pra entrar na banheira. Assim que entrei, relaxei imediatamente. Realmente a água quente, em especial a banheira, é um anestésico natural. Encostei minha cabeça, dormi por uma meia hora e fui de primeira classe pra Partolândia.

As dores a esta altura já eram diferentes. Já sentia meu corpo abrindo espaço para o Lucas descer. Eram fortes, mais fortes do que eu imaginava. Mas elas passam. Lembrava de respirar e esperar. E assim foi madrugada adentro. Alguns tempo depois, comecei a ficar um pouco impaciente. Na verdade não era a dor em si que incomodava ou o cansaço (que eu não sentia), mas estava era ficando um pouco ‘de saco cheio’ do processo. Perguntei pra Taiza se eu estava na fase de transição. Ela disse que ainda faltava muito. Pra quem é muito controladora, como eu, essa falta de noção do que tinha por vir incomoda um pouco (como qualquer processo desconhecido). Mas eu já estava muito pra lá da Partolândia, me recordo de algumas cenas apenas: Taiza me oferecendo mel e mamão, minha irmã trazendo água e bolacha, minha mãe aquecendo a água da banheira, e o Paulo ali do lado.


Amanheceu. Já sentia o cansaço bater, mas não via ainda o resto da equipe chegar. Se a médica e a enfermeira não haviam chegado, era porque faltava muito. Já sofria um pouco com a ansiedade. Mais um apagão de memória. E então me lembro que a equipe estava completa. Todos lá. Opa! Sinal de que o Lucas estava mais próximo do que eu imaginava!


As dores passaram. Entrei no período expulsivo e fiquei muito mais tranquila. Não sentia dor, sentia um estimulo do corpo ao fazer força. E, quando fazia, sentia um alívio. Chegava até a ser gostoso responder ao que o corpo estava pedindo. Mas a força era bruta. Foi quando o Paulo entrou na banheira e eu fiquei em uma posição mais cômoda para fazer força.


A essa altura, o banheiro estava completo. Todos enchendo o ambiente de amor para receber o nosso filho. A cada puxo, uma expectativa: Apareceu o cabelinho. Nossa! Meu filho tem cabelo! Nas ecografias era algo que não se mencionava e pouco se via. Apareceu a cabeça. Foi quase! Alguns puxos depois, na manhã do domingo (10h32 do dia 21/07/2013), com 3,780Kg e 51,5cm, Lucas pôs a cabeça no mundo!

Estava louca para conhecê-lo, então toquei sua cabeça. Senti um arrepio. A cabeça dele cabia na palma da minha mão! Que pequenininho, pensei e comentei! A equipe riu e discordou de mim. Lucas era um bebê grande! A Dra. Caren identificou a existência de uma circular. Mesmo eu sabendo que não havia risco, pedi para ela retirar a circular antes dele nascer por inteiro (acho que foi porque eu vi muitos vídeos com este procedimento - e outros tantos que a circular é retirada depois que o bebê sai todo).

Mais uma força, e senti ele chegar. Foi aparado por mim e eu o trouxe para o meu colo e demos o nosso primeiro abraço! Roxinho! Lindo! Chorão! Nasceu avisando o avô (que estava em outro cômodo) que tinha chegado!



A sensação de sentir o seu filho saindo e imediatamente poder pegá-lo, abraça-lo e recebê-lo? Difícil de descrever. Me senti corajosa, poderosa, forte, amorosa… me senti mãe! E o momento que olhei pra ele e ele abriu os olhinhos olhando pra mim? Ah! Sensação única no mundo! Completamente apaixonados estávamos eu e Paulo por nosso filhote que acabava de chegar.


Passamos o Lucas para minha mãe para conseguirmos sair da banheira. No quarto, com todo mundo por lá, decidimos fazer um churrasco para comemorar a chegada do pequeno. Afinal, domingo é o dia internacional do churrasco, não!? 


Agradecimentos

Ao meu marido, por ter me dado um filho lindo, que completou nossa família; por ter me apoiando incondicionalmente e se informado junto comigo; por ter sido o companheiro que eu precisava; por ter estado ao meu lado o tempo todo, antes, durante, depois do parto e por toda a vida.

Ao meu filho, corajoso nadador. Obrigada por ter dividido este momento comigo e ter sido tão forte nesta que foi a primeira de muitas etapas importantes da sua vida.

À Erica de Paula e Eduardo Chauvet, por terem se dedicado a construir um documentário tão especial e por terem disponibilizado o promo do filme. Com certeza foi decisivo para resgatar a minha fé em mim e a certeza de que eu estava no caminho para receber meu filho da forma que eu desejava.

Às amigas da ginástica, que abriram meus olhos e me inspiraram a me informar sobre o parto humanizado. Seu eu não as tivesse conhecido, talvez tivesse ficado com meu GO e sofrido uma cesária desnecessária.

Aos meus pais, por terem consentido em receber o Lucas em sua casa. Por terem se aberto a receber informação e por terem confiado na equipe que me acompanhava. Meu eterno obrigada!

À minha irmã, que esteve ao meu lado me dando água quando estava com sede e segurando minha mão quando uma contração chegava.

À minha tia Vivi, por ter preparado com tanto carinho o alimento que eu iria comer para repor as energias no pós parto.

À minha cunhada Lili que fez questão de estar presente para receber seu afilhado com muito amor.

Ao meu irmão e minha cunhada, que de longe torceram e vibraram com a chegada do pequeno.

À equipe que me assistiu, por terem sido tão maravilhosamente disponíveis para informar meus pais e acalentar seus corações, fazendo com que fosse possível receber o Lucas como esperávamos: respeitosamente, em ambiente familiar, direto para nossos braços.

À Ana Paula Batista, por ter registrado este momento de forma tão única e especial.

10 de mai de 2013

Parceria: Ana Paula Batista - Fotografia de Família


Gestantes de Brasília, venham conhecer o maravilhoso trabalho da Ana Paula Batista!

A Ana já fotografa há muito tempo gestantes, nascimentos, bebês, crianças e suas famílias. Mas desde que começou a fotografar partos humanizados, ela se encantou por essa forma suave e amorosa de trazer um bebê ao mundo! E ninguém melhor que a Ana, com seu olhar tão sensível, para eternizar a magia desse momento!

Deixa eu contar uma novidade para vocês: eu e a Ana Paula estamos fazendo uma PARCERIA!!! As gestantes que estou doulando terão um ótimo desconto no pacote de fotografia de parto com a Ana Paula Batista! E ainda ganharão uma sessão de preparação do períneo para o parto! Quer saber mais? Me escreva: taiza@gestarpariramar.com

Agora, algumas fotos de um lindo parto domiciliar para encantar vocês também:





Gostou? Veja o post completo e todas as fotos aqui: E foi em casa, cheio de amor

13 de mar de 2013

O que a parteira leva para um Parto Domiciliar?


Sempre me perguntam o que uma parteira leva para um Parto Domiciliar. Percebo que há grande curiosidade em torno disso justamente por habitar no imaginário popular a ideia muito ultrapassada de que a parteira é uma senhora que chega com uma bacia, uma tesoura e um paninho na mão e pede toalhas limpas!

As parteiras atuais, também conhecidas como parteiras urbanas, são profissionais formadas em Enfermagem Obstétrica (EO) ou Obstetrícia (Obstetrizes). Elas são totalmente aptas para assistir partos normais de baixo risco, seja em casa, Casa de Parto ou hospital. Elas atendem Partos Domiciliares Planejados (PDP), em que a gestante passa por um rigoroso critério de seleção, sendo acompanhada durante todo o pré-natal e não havendo nenhum impedimento, o parto pode ser realizado em casa.

Para atender um Parto Domiciliar Planejado, as parteiras levam para a casa da gestante todo o aparato necessário para dar suporte à vida da mãe e do bebê. Ou seja, levam equipamentos, medicações e materiais estéreis que permitem monitorar com segurança o trabalho de parto e parto, resolver algumas intercorrências e até mesmo prestar os primeiros socorros em caso de emergência.

Já que todo mundo quer saber o quem tem dentro da bolsa da parteira, ou melhor, das malas da parteira, vem comigo!

Elas chegam trazendo inúmeras bolsas, malas, caixas e o que não cabe vem na mão mesmo:


O que tem dentro da “bolsa da parteira”?

Equipamentos:
- Cilindro de oxigênio
- AMBU neonatal ou CFR portátil (respirador / reanimador para remoção neonatal)
- Aspirador portátil (desobstrução de vias aéreas - pode ser substituído por sonda de aspiração com seringa acoplada)
- AMBU adulto (respirador / reanimador para remoção materna)
- Colchão aquecido (manter o bebê aquecido durante a reanimação e remoção neonatal)
- Doppler fetal ou sonar (monitorar os batimentos cardíacos fetais)
- Estetoscópio (auscultar mãe e bebê)
- Medidor de pressão arterial
- Oxímetro (medidor de oxigênio)
- Glicosímetro (medidor de glicose)
- Balança (pesar o bebê)
- Régua antropométrica (medir altura do bebê - não é medida essencial)
- Fita métrica (medir circunferências do bebê)
- Foco de luz portátil (se necessário suturar - pode ser substituído por lanterna)

Medicações: 
- Soro fisiológico, glicosado e Ringer
- Água destilada
- Antisséptico
- Anestésico local (para sutura)
- Ocitocina sintética (ampola e spray nasal)
- Metilergometrina
- Misoprostol
- Hidralazina
- Nitrato de prata (colírio antibiótico, somente se necessário)
- Vitamina K (oral ou injetável)

Materiais Estéreis:
- Kits de parto (tesoura, cabo de bisturi, pinça Kelly, pinça dente de rato e pinça dissecção)
- Clamper umbilical
- Luvas
- Compressas
- Gazes
- Campos (para sutura)
- Fios cirúrgicos (para sutura)
- Seringas
- Agulhas
- Lâminas de bisturi
- Cateter periférico (para acesso venoso)
- Equipos de soro
- Sondas (para aspiração e para drenagem de urina)

Materiais auxiliares de parto: 
- Piscina inflável
- Banqueta de parto
- Bola Suíça
- Bolsa para compressa quente

Local preparado para primeiros socorros neonatais

   

OBS: A maior parte desses itens não são obrigatórios ou essenciais num PDP. Cada parteira tem seu próprio modo de atender e decide quais itens levar de acordo com sua necessidade/vontade.


Colaboração: Melissa Martinelli e Ana Cristina Duarte
Fotos: arquivo pessoal